Citado na lista de investigados por suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras, divulgada na noite desta sexta-feira, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), informou que só irá se manifestar depois de tomar conhecimento do conteúdo do inquérito aberto contra ele. "Não estou preocupado, mas quero conhecer o conteúdo, temos o direito de saber o que está se passando", afirmou Cunha, em entrevista ao Jornal da Band.
Nesta semana, foi divulgada a informação de que Cunha havia sido avisado antecipadamente de que seu nome constava na lista entregue pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que foi negado pelo parlamentar. Na quinta-feira, ele foi voluntariamente à CPI da Petrobrás para se colocar à disposição para esclarecer qualquer acusação.
Cunha foi citado em um dos vários depoimentos do doleiro Alberto Youssef ao Ministério Público, no âmbito da delação premiada, entre outubro e novembro de 2014. Youssef disse que o atual presidente da Câmara foi "beneficiário de propinas" do esquema de corrupção. Segundo ele, os pagamentos eram efetuados pelo empresário Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano e apontado como operador do PMDB no esquema.
O presidente da Câmara também foi citado à Polícia Federal pelo policial Jayme Alves de Oliveira Filho, o Careca, acusado de ser o "carregador de malas" de Youssef. Careca citou Cunha em 18 de novembro de 2014 e, depois, em 5 de janeiro de 2015, em uma retificação.
No primeiro momento, ele disse que levou dinheiro "duas ou três vezes" a uma "casa amarela" em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Afirmou também que o doleiro havia dito que o endereço era de Eduardo Cunha. Na retificação, Careca contou que o imóvel estava localizado em outro condomínio no mesmo bairro e que não tinha como saber se era mesmo o endereço de Cunha.
Após a retificação de Careca, o advogado criminalista Antonio Figueiredo Basto, responsável pela defesa de Youssef, disse que seu cliente "não sabe nada a respeito de entregar dinheiro" para Cunha e protocolou petição na Justiça Federal no Paraná em que afirma que o doleiro "nunca teve qualquer relação" com o parlamentar.
Cunha sempre negou ter recebido favor ou dinheiro de Youssef e declarou que a denúncia de envolvimento com o esquema era "uma alopragem que foi desmoralizada", em referência ao "escândalo dos aloprados", ocorrido em 2006, quando petistas foram presos em São Paulo ao tentar comprar um dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra (PSDB). Durante sua campanha pela presidência da Câmara, Cunha disse ter recebido informações de um policial federal de que integrantes da cúpula da instituição teriam participado de uma gravação manipulada para prejudicá-lo e ligá-lo ao caso de corrupção da Petrobrás.
Eduardo Cunha só vai se posicionar após conhecer inquérito
Presidente da Câmara foi citado em depoimentos dados por Alberto Youssef ao Ministério Público