Eleições

As incógnitas que permeiam a eleição para o Senado do RS

Faltando uma semana para o pleito, campanhas traçam desafios e avaliam dificuldades na disputa pelo voto

Disputa ao Senado tem 13 nomes, sendo que oito são de partidos com representação no Congresso Nacional
Disputa ao Senado tem 13 nomes, sendo que oito são de partidos com representação no Congresso Nacional Foto : Montagem Correio do Povo

Faltando uma semana para as Eleições 2026, há muitas incógnitas entre as campanhas dos principais postulantes ao Senado Federal pelo Rio Grande do Sul. Em um pleito em que serão escolhidos dois ocupantes para a Casa Alta pelo Estado, alguns temas acabaram por ter maior atenção, como a crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF).

Porém, há um elemento presente: a falta de interesse na disputa. É quase unânime a avaliação de que será nos últimos dias antes do pleito que o eleitor tomará uma posição. Assim, independente do que levantamentos têm indicado, há uma disputa totalmente em aberto. "A pesquisa acaba por induzir a percepção de que um nome está à frente”, comenta um coordenador de campanha. Para em seguida complementar dizendo “o número de indecisos” é muito relevante.

Há ainda outro tópico de grande relevância: “o segundo voto”. Na avaliação de alguns coordenadores, as dobradinhas de algumas chapas estão em grande sintonia, como nos materiais de campanha e em discursos. Ao mesmo tempo que pode ser positivo, por assegurar o segundo voto; pode ser um limitador. Enquanto que as dobradinhas consideradas “mais frágeis” permitem que um candidato capte o voto de um eleitor de campos políticos distintos. Assim, pulveriza de onde pode haver a atração de votos.

Se a pauta da crise do STF pode ter fortalecido o discurso de determinados candidatos que já traziam essa bandeira como prioritária, como é o caso dos candidatos Marcel van Hattem (Novo) e Ubiratan Sanderson (PL), ela não foi a única em discussão. Há outros temas mais próximos ao dia a dia da população, como bets, feminicídios e própria reconstrução do Estado, que são elencados como fatores que podem encorpar a campanha de nomes do campo mais progressista, como Manuela d´Ávila (PSol) e Paulo Pimenta (PT).

Mas para além de bandeiras, a compreensão de um perfil político que não está nos polos, mas que tem poder de articulação, faz articuladores acreditarem em candidaturas de Germano Rigotto (MDB), ex-governador do Estado e com um recall junto ao eleitorado, ou até mesmo de Frederico Antunes (PSD), que teve atuação como líder do governo na Assembleia.

Neste campo ainda estão dois nomes com candidaturas mais modestas, como Milton Cardoso (PSDB) e Renato Jaguarão (Cidadania), que têm poucos recursos e fazem ações mais pontuais nas suas campanhas.

O que está em jogo

Há outras incógnitas que perpassam esses seis nomes, entre os oito que têm siglas com representação no Congresso Nacional. A seguir algumas delas (por ordem alfabética):

  • Frederico Antunes (PSD): apesar da trajetória política na Assembleia Legislativa, de quem exerceu sete mandatos como deputado e foi o responsável pela articulação do governo nas duas últimas gestões, há um desconhecimento do seu nome. A presença do governador Eduardo Leite como cabo eleitoral pode auxiliar neste ponto. Porém, a disputa nacional e a polarização podem impedir um possível crescimento.
  • Germano Rigotto (MDB): o recall de ter sido ex-governador e não ter um fato negativo associado ao seu nome, faz com que tenha maior aceitação entre o eleitorado, além de um trabalho de campanha para valorizar os “lados positivos” do seu perfil político. Ao mesmo tempo, é uma campanha com menos recursos e que também se tornou alvo de ataques sistemáticos na esfera digital, como o que relaciona a sua possível vitória como uma ajuda para a “esquerda chegar ao poder”.
  • Manuela d’Ávila (PSol): após decidir não concorrer mais, em função de ataques políticos em 2020, ela nunca se afastou totalmente da política. Trouxe para essa campanha uma roupagem de enfrentamento e luta por posição na política e temas bem definidos, como o combate às bets e aos feminicídios, que são melhor compreendidos pelos eleitores. Única mulher entre os principais nomes, ela enfrenta ainda os ataques orquestrados em redes sociais, em especial, seguiram, o que resultou inclusive em ações judiciais. Outro ponto frágil apontado por adversários é a possível perda de conexão com o eleitor que a acompanha há tantos anos.
  • Marcel van Hattem (Novo): a sua candidatura ganhou mais força pelo alinhamento com as ações contra ministros do STF, sua bandeira como deputado federal. Espera ampliar a musculatura com o reforço da dobradinha com o outro integrante da chapa e ser puxado pelo possível bom desempenho da majoritária no Estado. Com tom combativo, os adversários enxergam neste perfil a sua fragilidade de conseguir levar à frente, por exemplo, a capacidade de articulação com políticos de campos adversos.
  • Paulo Pimenta (PT): ex-ministro da reconstrução, investiu parte da sua campanha nos problemas estruturais do Estado, como infraestrutura, e mais próximos ao dia a dia, como o fim da escala 6x1. A manutenção do número do atual senador Paulo Paim é um ponto que pode auxiliar a atrair. Com recursos, levou a sua campanha para o Interior. Esse movimento de presença deve crescer mais nesta última semana para atrair os indecisos.
  • Ubiratan Sanderson (PL): a perspectiva de crescimento nas pesquisas pela relação com o desempenho do PL nacional e regionalmente tem gerado animação no entorno da candidatura, assim como o considerado “êxito” da sua dobradinha. A trajetória política mais limitada, com dois mandatos de deputado federal, é uma artilharia dos adversários, que avaliam que não tem robustez para articulação. A forte vinculação com o ex-presidente Jair Bolsonaro também pode ser um fator prejudicial.

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