Eleições

Debate da Granpal adianta novas táticas de concorrentes ao governo do RS

Evento realizado no Instituto Caldeira com transmissão ao vivo da Rádio Guaíba e do Correio do Povo foi marcado por confronto entre Zucco e Gabriel e insistência de Juliana na tese da conciliação

Instituto Caldeira sediou debate entre postulantes ao governo gaúcho
Instituto Caldeira sediou debate entre postulantes ao governo gaúcho Foto : Mauro Schaefer/CP

Com participação de Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Marcelo Maranata (PSDB), o debate entre pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul promovido pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal) nesta terça-feira, 16, evidenciou quais são as dinâmicas e alterações de estratégias em curso neste período que antecede as convenções partidárias. Dividido em cinco blocos e com duração de duas horas, o embate foi realizado no Instituto Caldeira, com transmissão ao vivo da Rádio Guaíba e do Correio do Povo.

Para além da ausência de respostas objetivas a quase todas as perguntas formuladas pela própria Granpal ou por entidades representativas da sociedade civil sobre a resolução de problemas em diferentes áreas, o debate foi marcado por três movimentos políticos. O primeiro e mais evidente foi o estabelecimento de um antagonismo explícito entre Gabriel e Zucco.

O vice-governador e o deputado trocaram provocações em todos os blocos, o que fez com que ambos acabassem protagonizando o evento, mesmo que mais pelas críticas, que não raro beiraram a ofensa, do que pela apresentação de propostas. O confronto escalou entre os blocos 3 e 4.

Na metade do 3, sorteado para responder a uma questão sobre qual seria sua prioridade de governo caso precisasse escolher uma, Gabriel se dirigiu a Zucco. “A cor da tua campanha deveria ser só uma: amarelo. Porque tu amarela sempre que é confrontado. Tanto é verdade que neste debate só tá perguntando para o Maranata. Pergunta para mim a próxima. E podia olhar para mim agora.” Zucco chegou a sair de seu púlpito e se virar de lado, gesticulando para o emedebista.

No bloco seguinte, em uma das questões, mesmo que a interação fosse com Juliana, Zucco se dirigiu a Gabriel. “O candidato do governo pede para eu olhar para ele, mas, quando olho, baixa a cabeça.” Na sequência, escolheu Gabriel para comentar a questão que respondia.

O segundo movimento político evidenciado no evento da Granpal foi o da postura de Juliana. A trabalhista deixou claro que o discurso da conciliação vai ser uma das linhas mestras da campanha. Ela aproveitou os confrontos entre os adversários nas considerações finais. “Queria pedir para os guris aqui terem mais calma. Não vão adiantar estas brigas”, considerou.

No decorrer do debate, já havia chamado a atenção dos presentes a quantidade de interações amistosas, como sorrisos, acenos de cabeça e até um gesto de mãos dadas entre ela e o vice-governador, que estavam lado a lado. Depois que a transmissão terminou, foi a vez de ela e Zucco, de costas para a plateia, ficarem conversando por alguns minutos no palco.

Para além dos pontos que podem ter sido obtidos com o destaque dado pela pré-candidata a sua capacidade de diálogo, contudo, o entendimento majoritário na plateia foi de que, em função da presença de Zucco ou não, ela não alcançou no Caldeira o mesmo protagonismo obtido no debate da Federasul na semana passada.

O terceiro movimento político foi quase imperceptível, e veio do vice-governador. Ele, que em eventos anteriores vinha citando de forma recorrente o governador Eduardo Leite (PSD), desta vez falou menos do governador. No lugar do mandatário do Piratini, o político que ganhou destaque nas manifestações de Gabriel foi seu colega de partido, o prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo.

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