Eleições

Dilma evita comentar pesquisa do Datafolha em visita ao Estado

Candidata do PT à presidência aparece 10 pontos porcentuais atrás de José Serra

Dilma acena antes da plenária no colégio Rosário
Dilma acena antes da plenária no colégio Rosário Foto : Pedro Revillion
A pré-candidata do PT à presidência da República, Dilma Rousseff, não quis comentar a pesquisa divulgada nesta sábado pelo Datafolha na qual aparece com 28% das intenções de voto, dez pontos porcentuais atrás de José Serra, que tem 38%. "Pesquisa é retrato do momento", repetiu. "Ela sendo o que seja, eu não comento pesquisa".

Em seu terceiro dia no Rio Grande do Sul, Dilma ironizou os elogios que seu adversário na campanha política deste ano, José Serra (PSDB), fez ao Bolsa-Família. "Não quero polemizar com ele, mas acho interessante esse novo estilo da oposição, de tentar passar por aquilo que não foi nos últimos sete anos e meio", reagiu a ex-ministra-chefe da Casa Civil neste sábado, em Porto Alegre. Ela foi provocada pelos repórteres a comentar as sucessivas declarações do tucano, que promete manter e ampliar o programa de transferência de renda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. "Se apoiassem tanto o nosso governo, por que não apoiaram antes?", questionou a petista. "É só isso que eu pergunto".

A pré-candidata do PT participou de uma plenária que lideranças do movimento sindical e social organizaram como ato de pré-campanha. À vontade, à frente de cerca de mil apoiadores que lotaram o salão de atos do Colégio Rosário para aplaudi-la e cantar seu nome, Dilma voltou a acusar a oposição de ser "lobo em pelo de cordeiro" dando a entender que desconfia das intenções da mudança de postura dos adversários. "Até ontem eram a oposição mais feroz, mais destrutiva, que foi contra o Bolsa-Família dizendo que era Bolsa-Esmola".

Na comparação com gestões anteriores, Dilma chegou a afirmar que "aquele País triste, da estagnação, da desigualdade, do desemprego, aquele País triste nós enterramos no governo do presidente Lula". Sempre citando o crescimento econômico com avanços sociais que entende que a gestão petista conseguiu, Dilma fez críticas indiretas à gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). "Vocês jamais me verão dizendo ''esqueçam o que eu disse''", garantiu. "Eu não entrego o meu País, vocês jamais me verão tomando posições, assumindo decisões que levam à perda das riquezas do País ou levem à venda de seu patrimônio, das suas empresas públicas".

Ao gosto da plateia, a pré-candidata assegurou que não compactua com Estado omisso, diminuto, que não use do planejamento e não distribua renda. "Vocês jamais me verão transformar o Estado em marionete, mas sim valorizar o Estado sempre e torná-lo instrumento do interesse público e do interesse do povo brasileiro", prometeu.

No discurso, Dilma também afagou grande parte do público ao dizer uma democracia como a nossa tem que ter movimentos sociais fortes. "É inadmissível que um democrata persiga, bata ou reprima o movimento social jogando cães sobre ele". Ao sair, na breve entrevista coletiva que deu, respondeu a uma pergunta sobre as invasões promovidas pelos sem-terra citando os assentamentos que o governo fez e programas como o Mais Alimentos e Luz Para Todos. "Nosso governo foi o que mais contribuiu para a paz no campo", reiterou. "Agora, vocês não esperem de mim uma declaração do tipo prende e arrebenta porque vocês não vão ter".

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