Eleições

Distribuição de fundos eleitorais registra disparidade no financiamento entre candidatos brancos e não brancos

Estudo da Transparência Brasil indica que 60,4% dos recursos públicos de campanha foram destinados a candidaturas brancas

O financiamento eleitoral constitui uma dimensão fundamental da competição política
O financiamento eleitoral constitui uma dimensão fundamental da competição política Foto : Antônio Cruz/ Agência Brasil / CP

Levantamento da Transparência Brasil, elaborado com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições gerais de 2026, indica que a alocação de recursos públicos de campanha apresenta variações na distribuição por género e raça entre os candidatos. Do montante de R$ 3,9 bilhões em verbas públicas declaradas pelas candidaturas às eleições proporcionais, as pessoas brancas receberam 60,4% do total, um percentual 10,2 pontos percentuais superior à sua proporção no universo total de concorrentes.

O financiamento de campanha constitui um elemento central da competição eleitoral, sendo que 93% das receitas totais declaradas provêm de verbas públicas, oriundas majoritariamente do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). No cálculo geral, o contingente de candidaturas é equilibrado entre pessoas brancas (50,2%) e não brancas (49,8%). Na divisão por género, as candidaturas femininas correspondem a 35,6% do total de inscritos.

Apenas candidaturas proporcionais (deputados federais, estaduais e distritais) e recursos financeiros | Foto: Transparência Brasil / CP

O cruzamento dos dados de raça e gênero explicita de forma mais detalhada as divergências nos volumes financeiros direcionados a cada grupo específico. Os homens brancos constituem a parcela que recebeu o maior volume de recursos públicos acima do esperado, captando um montante 5,6 pontos percentuais superior à sua proporção de candidaturas, o que equivale a um saldo positivo de R$ 216,9 milhões no rateio.

Mulheres brancas registraram um percentual de repasses 4,6 pontos percentuais acima do seu contingente de candidatas, consolidando uma diferença positiva de R$ 177,1 milhões na distribuição das verbas partidárias.

As candidaturas de pessoas não brancas absorveram o impacto financeiro negativo na alocação dos fundos. As mulheres não brancas receberam 1,6 ponto percentual a menos do que a sua proporção entre os inscritos, totalizando um déficit de R$ 61,9 milhões frente ao valor que seria estritamente proporcional ao seu número de candidatas.

O grupo dos homens não brancos figurou como o mais desfavorecido nos repasses, acumulando um volume de recursos 8,6 pontos percentuais abaixo da sua fatia no total de candidaturas, o que corresponde a uma diferença nominal negativa de R$ 332,2 milhões.

O eixo 0 representa a igualdade na proporção entre receitas públicas e número de candidaturas, para cada grupo | Foto: Transparência Brasil / CP

O exame do comportamento das agremiações partidárias revela que a opção por esse direcionamento dos gastos obedece a um padrão estrutural na maior parte das legendas avaliadas. Tanto os homens não brancos quanto as mulheres não brancas apresentaram um padrão consistente de subfinanciamento no universo dos partidos analisados no estudo. Por outro lado, o grupo das mulheres brancas registrou índices de proporcionalidade sistematicamente superiores a zero, caracterizando sobrefinanciamento, na maior parte das siglas.

As únicas exceções apuradas em relação a esse favorecimento estatístico das mulheres brancas foram os partidos DC, PDT e REDE. O levantamento pontua, ainda, que os candidatos do PCB e do Democrata não declararam o recebimento de recursos públicos até a data de corte da análise, em 15 de setembro de 2026, enquanto os concorrentes do PCO não declararam nenhum tipo de receita até o mesmo período.

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