Eleições

Flávio diz que não há nada de errado em relação com Vorcaro e evita prestar contas de “Dark Horse” em sabatina

Candidato à Presidência garantiu respeitar resultados eleitorais e falou que todos os ministros do STF “devem estar abaixo da lei”

Candidato do PL passou por sabatina eleitoral
Candidato do PL passou por sabatina eleitoral Foto : Manoella Mello / TV Globo / Divulgação CP

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta sexta-feira, 16, que não há ilicitudes na relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, envolvendo o financiamento milionário do filme Dark Horse, que homenageia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração foi feita durante sabatina de Flávio para a TV Globo.

Na entrevista, ao ser questionado sobre a negociação de R$ 134 milhões para a produção do filme, Flávio comparou a situação à demissão do ex-CEO da Editora Globo, Frederic Kachar, que deixou o cargo após o vazamento de conversas entre ele e o banqueiro. O senador voltou a evitar prestar contas sobre o filme e afirmou que a produtora já o fez, o que não condiz com a realidade.

“Um diretor da Globo acabou de ser exonerado porque ele promovia eventos bancados pelo Vorcaro no Valor Econômico, em Nova York. Tem alguma coisa de errado? Eu acho que não. Mas ele feriu o código de ética da empresa e sofreu as consequências. Da minha parte, não tem nada de errado”, declarou durante a sabatina.

O candidato comentou que respeitará o resultado da eleição, mesmo se perder a disputa. 'Vou disputar as eleições com as regras que estão aí. Independentemente de qual for o resultado, vou respeitar', declarou. O presidenciável minimizou, porém, a tentativa de golpe de 2022, quando apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inconformados com o resultado do pleito daquele ano, invadiram os principais prédios públicos em Brasília.

Segundo Flávio, essas pessoas deveriam responder por depredação, e não por atentado contra o Estado democrático.

Flávio também falou sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, todos os ministros “devem estar abaixo da lei”. Questionado diretamente sobre Kassio Nunes Marques e suas relações com o banqueiro do Master, Daniel Vorcaro, ele evitou citar nominalmente o juiz indicado por seu pai. “Todo mundo tem que estar abaixo da lei. O problema do Brasil é achar que estão acima da lei, a lei tem que valer para todo mundo”, afirmou.

O caso Dark Horse

Flávio é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O presidenciável nega irregularidades e afirma que todos os recursos destinados ao longa são privados. Mensagens mostram que Flávio pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 131 milhões para a produção da obra. Desse total, R$ 60 milhões foram pagos, de acordo com planilhas apreendidas pela Polícia Federal.

O senador segue sem dar detalhes sobre o contrato do longa e afirma que Vorcaro não recebeu nenhuma contrapartida pelo patrocínio milionário. Segundo a produtora, mais de 90% do orçamento do filme foi bancado pelo banqueiro. O financiamento foi negociado diretamente entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, inclusive após a prisão do dono do Banco Master, em novembro de 2025, conforme mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro.

Em 20 de agosto, Flávio afirmou considerar o caso “página virada” e disse que a prestação de contas já havia sido realizada. Quatro dias depois, ao ser novamente questionado por jornalistas, reagiu: “Vocês estão parados no tempo?”

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