Eleições

Funcionamento da urna eletrônica é o principal alvo de ataques nas redes, aponta estudo

Pesquisa revela que quase metade dos conteúdos falsos sobre o processo eleitoral mira os aparelhos

A coordenadora do Projeto Confia, Helena Salvador, explicou que os ataques não são diretos às urnas eletrônicas, mas sim insinuações
A coordenadora do Projeto Confia, Helena Salvador, explicou que os ataques não são diretos às urnas eletrônicas, mas sim insinuações

Pesquisa do Pacto pela Democracia sobre desinformação contra as eleições dá conta de que 53% da população confia na urna eletrônica. Conforme o levantamento, o dado representa uma queda em relação a 2022, quando um estudo do Datafolha, divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontava que 82% dos brasileiros acreditavam no sistema eleitoral. Nos últimos dias, o sistema eleitoral brasileiro foi questionado pelo candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e pelo governo dos Estados Unidos, que pretendia enviar agentes para levantar dúvidas sobre a integridade e confiabilidade dos equipamentos.

O Projeto Confia, do Pacto pela Democracia, realizou a pesquisa que apontou a urna eletrônica como o principal alvo de ataques e narrativas falsas que focam no funcionamento do aparelho. Elas recorrem a falsas explicações técnicas que sugerem falhas e possibilidades de manipulação. O levantamento analisou 716 mensagens relacionadas a ataques às eleições e desinformação nos dois últimos ciclos eleitorais (2022 e 2024).

Os dados mostram que mais de 45% dos conteúdos (326 mensagens) tratam do funcionamento da urna eletrônica. Na sequência, aparecem conteúdos voltados à ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades (194 mensagens – 27,1%), teorias de fraude na apuração dos votos (156 mensagens – 21,8%) e desvirtuamento de regras e logística eleitoral (110 mensagens – 15,4%).

Insinuações

A coordenadora do Projeto Confia, Helena Salvador, explica que os ataques não são diretos às urnas eletrônicas, mas sim, insinuações. "São insinuações sobre as teclas, sobre o software, sobre o funcionamento, entre outros. A expectativa é que haja ataques semelhantes aos das eleições de 2022."

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Conforme Helena, as investigações apontaram que os ataques são provocados mais por explicações ideológicas e emoções do que por motivos racionais ou técnicos. "É muito mais fácil encontrar conteúdos falando mal das urnas do que bem. Quando encontramos alguém falando bem, em sua maioria, são as instituições em seus sites; já quem fala mal está nas redes."

"Percebemos que as pessoas confiam mais nas informações vindas de familiares e amigos do que nas instituições e nos jornalistas", afirmou a coordenadora.

De acordo com Helena, há um movimento externo que fomenta a desconfiança nos processos eleitorais. "Aconteceu nas eleições da Venezuela e dos Estados Unidos, onde há políticos que atacam a forma como foram eleitos. Colocam sob suspeita o processo que deu a eles a eleição."

Segundo Helena, o estudo levou à percepção de que, por mais que as organizações promovam diversas campanhas, é necessário despertar no eleitor a vontade de votar. "A desconfiança do processo eleitoral leva as pessoas a perderem a vontade de votar, pois justificar o voto é fácil. A desconfiança também pode levar à eleição de um candidato que ataca o sistema eleitoral e que pode, futuramente, atacar as instituições."

"Outra justificativa de ataques é a alegação de que o mundo não acredita nas eleições do Brasil. Os ataques que vêm de fora alimentam esse movimento, colocando o processo brasileiro sob desconfiança", apontou a coordenadora.

Helena recordou que a urna eletrônica foi criada no Brasil pensando na realidade do povo brasileiro. "Sempre questionam por que só o Brasil usa a urna eletrônica, mas não é verdade. Vários países usam, como por exemplo o Japão, que inclusive já enviou uma comitiva ao nosso país para estudar o processo da urna para implementá-lo por lá."

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