Em 4 de outubro, o eleitorado gaúcho escolhe os 55 deputados que vão compor a Assembleia Legislativa na próxima legislatura. A Casa que chega às urnas, porém, está diferente daquela escolhida pelos eleitores em 2022.
Há quatro anos, os votos distribuíram as cadeiras entre 15 partidos. Hoje, são 12 siglas representadas no plenário. A maior reorganização ocorreu na janela partidária deste ano, período de 30 dias em que deputados podem trocar de legenda sem perder o mandato por infidelidade partidária. Entre março e abril, 13 parlamentares da Assembleia mudaram de partido.
Outros dois trocaram fora desse prazo. Rodrigo Lorenzoni deixou o PL pelo PP em junho de 2025, com autorização do partido de origem, uma das hipóteses em que a lei permite a troca fora da janela. Valdir Bonatto saiu do PSDB rumo ao PSD sem essa autorização e responde a processo por infidelidade partidária. Ao todo, 15 dos 55 deputados eleitos em 2022 estão hoje em outra sigla.
O PSD concentrou boa parte das movimentações. Enquanto o único eleito pela sigla em 2022, Gaúcho da Geral, migrou para o PP, o PSD reuniu oito deputados, entre eles nomes que vieram do PSDB, como Delegada Nadine, e do PP, como Ernani Polo e Frederico Antunes. Os dois ex-progressistas, porém, não disputam a Assembleia neste ano. Polo é candidato a vice-governador na chapa de Gabriel Souza (MDB), e Antunes concorre ao Senado.
Já o PSDB passou pela mudança mais acentuada no sentido inverso. Elegeu cinco deputados em 2022 e nenhum deles permanece na sigla. No caso de Bonatto, a saída fora da janela levou o TRE-RS a decretar a perda do mandato e a dar posse à suplente tucana Zilá Breitenbach. Nesta semana, o tribunal suspendeu os efeitos da decisão enquanto o recurso tramita no TSE. Bonatto voltou ao cargo, e o PSDB segue sem representantes na Casa. Porém, uma nova decisão pode alterar essa composição.
Pela primeira vez na história recente, o PT não terá candidato próprio ao governo do Estado: Edegar Pretto é vice na chapa de Juliana Brizola (PDT). O partido elegeu 11 deputados em 2022 e mantém o mesmo tamanho de bancada.
Estar fora da cabeça de chapa, porém, não significa que o partido deixe de somar votos na disputa pela Assembleia. O PT concorre dentro da Federação Brasil da Esperança, ao lado de PCdoB e PV, e todos os votos dados aos candidatos das três siglas e às legendas entram na mesma conta. Nas federações, duas ou mais legendas funcionam como um único partido na eleição e são obrigadas a atuar juntas por, no mínimo, quatro anos.
O modelo estreou em 2022, ano em que três federações disputaram a Assembleia e elegeram 19 dos 55 deputados. A Brasil da Esperança fez a maior bancada, com 12 cadeiras: 11 do PT e uma do PCdoB. A união PSDB Cidadania elegeu cinco, todos tucanos, enquanto a PSol e Rede ficou com duas, ambas do PSol.
As três seguem de pé em 2026, e uma quarta faz sua estreia: a União Progressista, formada por PP e União Brasil, adversários há quatro anos. Agora os dois partidos somam votos, e uma vaga conquistada pelo bloco pode ficar com um candidato de qualquer das duas siglas.
Dez das 55 cadeiras já estão com “vaga aberta”
As mudanças não ficam restritas às bancadas. Antes mesmo da votação, dez das 55 cadeiras já têm troca de nome garantida, porque seus atuais ocupantes não concorrem novamente à Assembleia. Sete deputados disputam uma vaga na Câmara dos Deputados, dois são candidatos a vice-governador e um concorre ao Senado. Os outros 45 tentam permanecer no Legislativo estadual; entre eles está Halley Lino (PT), que não foi eleito titular em 2022 e assumiu a cadeira como suplente depois que Luiz Fernando Mainardi deixou a Assembleia para ser prefeito de Bagé.
Entre os que deixam a disputa estão alguns dos nomes mais votados de 2022. Gustavo Victorino (Republicanos), que liderou a última eleição com 112.920 votos, concorre à Câmara, assim como Valdeci Oliveira, o mais votado do PT, e Juvir Costella, que teve a maior votação do MDB. Silvana Covatti (PP) e Ernani Polo (PSD) disputam a vice-governadoria, enquanto Frederico Antunes (PSD) concorre ao Senado. Juntos, os dez receberam cerca de 602 mil votos há quatro anos.
A saída desses nomes também pesa na conta dos partidos. Como a eleição para deputado segue o sistema proporcional, os votos dos candidatos de uma mesma legenda ou federação são somados e definem quantas cadeiras o grupo conquista. Uma votação alta, portanto, pode contribuir para a eleição de colegas. Em 2026, as siglas precisam encontrar entre os demais candidatos parte dos votos que estavam concentrados nesses parlamentares.
O caso de Laura Sito (PT) ajuda a entender a regra. Em 2022, ela se elegeu com 36.705 votos e ficou com a última das 11 cadeiras conquistadas pelo PT. Karen Santos (PSol), também vereadora de Porto Alegre, fez mais de 40 mil votos e não entrou. A diferença esteve na soma: a Federação Brasil da Esperança reuniu votos suficientes para 12 vagas, enquanto a PSol Rede alcançou duas, ocupadas por Luciana Genro e Matheus Gomes. Nesse sistema, o desempenho do partido pesa tanto quanto o do candidato. Agora, Laura Sito também deixa a Assembleia para disputar uma vaga na Câmara.
A renovação final tende a ir além das dez vagas já abertas, porque os outros 45 deputados ainda precisam passar novamente pelas urnas. Em 2022, quando a comparação é feita com quem ocupava efetivamente uma cadeira ao fim da legislatura anterior, 31 parlamentares conseguiram permanecer e 24 eram novos ou retornavam à Assembleia, representando uma renovação de 43,6%.
Quando se compara apenas os eleitos de 2022 com os eleitos quatro anos antes, o índice chega a 50,9%.
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Uma mudança também no perfil
Em 2022, o perfil da Assembleia gaúcha refletiu essa renovação: onze mulheres foram eleitas (20% das 55 vagas) e, de forma inédita, o Parlamento passou a contar com duas mulheres negras: Bruna Rodrigues (PCdoB) e Laura Sito (PT). Matheus Gomes, do PSol, também integrou a bancada negra eleita naquele ano. A composição escolhida em outubro permitirá medir se essa representação será mantida, ampliada ou reduzida na próxima legislatura.
A distribuição das vagas pelos partidos em 2022 e 2026
| Sigla | 2022 | 2026* |
| PT | 11 | 11 |
| PSDB | 5 | 0 |
| PCdoB | 1 | 0 |
| PSD | 1 | 8 |
| PP | 7 | 7 |
| MDB | 6 | 6 |
| Republicanos | 5 | 6 |
| PL | 5 | 5 |
| PDT | 4 | 5 |
| PSOL | 2 | 2 |
| Podemos | 2 | 2 |
| Novo | 1 | 1 |
| União Brasil | 3 | 1 |
| PSB | 1 | 1 |
| Total | 55 | 55 |
| Partidos com cadeira | 15 | 12 |
Os 55 deputados eleitos em 2022 e a situação de cada um hoje
| Deputado | Eleito em 2022 por | Situação atual |
| Adão Pretto | PT | Candidato à reeleição pelo PT |
| Adolfo Brito | PP | Candidato à reeleição pelo PP |
| Adriana Lara | PL | Candidata à reeleição pelo PL |
| Aloísio Classmann | União Brasil | Candidato à reeleição pelo PSD |
| Beto Fantinel | MDB | Candidato à reeleição pelo MDB |
| Bruna Rodrigues | PCdoB | Candidata à reeleição pelo PSB |
| Capitão Martim | Republicanos | Candidato à reeleição pelo Republicanos |
| Claudio Branchieri | Podemos | Candidato à reeleição pelo PL |
| Cláudio Tatsch | PL | Candidato à reeleição pelo PL |
| Delegada Nadine | PSDB | Candidata à reeleição pelo PSD |
| Delegado Zucco | Republicanos | Candidato à reeleição pelo Republicanos |
| Dirceu Franciscon | União Brasil | Candidato à reeleição pelo União Brasil |
| Dr. Thiago Duarte | União Brasil | Candidato à reeleição pelo PDT |
| Edivilson Brum | MDB | Candidato à reeleição pelo MDB |
| Eduardo Loureiro | PDT | Candidato à reeleição pelo PDT |
| Eliana Bayer | Republicanos | Candidata à reeleição pelo Republicanos |
| Elizandro Sabino | PTB | Candidato à reeleição pelo Republicanos |
| Elton Weber | PSB | Candidato à reeleição pelo PSD |
| Ernani Polo | PP | Candidato a vice-governador pelo PSD, na chapa de Gabriel Souza (MDB) |
| Felipe Camozzato | Novo | Candidato a deputado federal pelo Novo |
| Frederico Antunes | PP | Candidato ao Senado pelo PSD |
| Gaúcho da Geral | PSD | Candidato à reeleição pelo PP |
| Gerson Burmann | PDT | Candidato à reeleição pelo PDT |
| Gilmar Sossella | PDT | Candidato à reeleição pelo PDT |
| Guilherme Pasin | PP | Candidato à reeleição pelo PP |
| Gustavo Victorino | Republicanos | Candidato a deputado federal pelo Republicanos |
| Halley Lino* | PT | Candidato à reeleição pelo PT, em 2022 ficou como suplente e assumiu oficialmente após vitória de Mainardi |
| Jeferson Fernandes | PT | Candidato à reeleição pelo PT |
| Joel Wilhelm | PP | Candidato à reeleição pelo PP |
| Juvir Costella | MDB | Candidato a deputado federal pelo MDB |
| Kaká D'Ávila | PSDB | Candidato à reeleição pelo Podemos |
| Kelly Moraes | PL | Candidata à reeleição pelo PL |
| Laura Sito | PT | Candidata a deputada federal pelo PT |
| Leonel Radde | PT | Candidato à reeleição pelo PT |
| Luciana Genro | PSOL | Candidata à reeleição pelo PSOL |
| Luciano Silveira | MDB | Candidato à reeleição pelo MDB |
| Luiz Fernando Mainardi* | PT | Prefeito de Bagé; a vaga é ocupada por Halley Lino (PT), candidato à reeleição |
| Luiz Marenco | PDT | Candidato à reeleição pelo PDT |
| Marcus Vinícius | PP | Candidato à reeleição pelo PP |
| Matheus Gomes | PSOL | Candidato à reeleição pelo PSOL |
| Miguel Rossetto | PT | Candidato à reeleição pelo PT |
| Neri, o Carteiro | PSDB | Candidato à reeleição pelo PSD |
| Paparico Bacchi | PL | Candidato à reeleição pelo PL |
| Patrícia Alba | MDB | Candidata a deputada federal pelo MDB |
| Pedro Pereira | PSDB | Candidato à reeleição pelo PSD |
| Pepe Vargas | PT | Candidato à reeleição pelo PT |
| Rodrigo Lorenzoni | PL | Candidato à reeleição pelo PP |
| Ronaldo Santini | Podemos | Candidato à reeleição pelo Podemos |
| Sergio Peres | Republicanos | Candidato à reeleição pelo Republicanos |
| Silvana Covatti | PP | Candidata a vice-governadora pelo PP, na chapa de Luciano Zucco (PL) |
| Sofia Cavedon | PT | Candidata à reeleição pelo PT |
| Stela Farias | PT | Candidata à reeleição pelo PT |
| Valdeci Oliveira | PT | Candidato a deputado federal pelo PT |
| Valdir Bonatto | PSDB | Candidato à reeleição pelo PSD; mandato em disputa no TSE |
| Vilmar Zanchin | MDB | Candidato a deputado federal pelo MDB |
| Zé Nunes | PT | Candidato à reeleição pelo PT |
