Eleições

Primeiro debate presidencial é marcado por trocas de acusações e embates

Apesar dos candidatos comentarem sobre propostas, provações ditaram o tom do encontro

Interrupções foram constantes ao longo debate
Interrupções foram constantes ao longo debate Foto : NELSON ALMEIDA / AFP / CP

O primeiro confronto direto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) para à presidência do Brasil nas Eleições de 2026 foi marcado por trocas de acusações entre os candidatos, com momentos pontuais de apresentação de propostas. O encontro ocorreu na noite deste domingo, nos estúdios da Band, em São Paulo.

As provocações pautaram o debate, voltadas a figuras tidas como vulnerabilidades dos candidatos. De Lula para Flávio, eram cobradas explicações sobre a relação do candidato do PL com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, centro do Caso do Banco Master, enquanto Flávio retribuía a pergunta, questionando sobre a proximidade da lobista Roberta Luchsinger com Lula e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

Roberta e Lulinha são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais para beneficiar empresários.

No caso de Flávio, a relação com o ex-dono do Master é investigado no Supremo, tendo como base o repasse de recursos para o filme sobre Jair Bolsonaro.

Além destes pontos, também discutiram, economia (focando no público empreendedor), saúde, produtividade, relações com os Estados Unidos e redução da maioridade penal. Os três blocos tiveram formato misto, abrindo com perguntas temáticas, seguidas por questões de tema livre. No primeiro bloco, a pergunta livre possibilita trocas constantes de oportunidade na fala, já que cada candidato podia administrar 15 minutos de comentários. Nos demais, funcionava no modelo tradicional, com uma pergunta de 1 minuto e 30 segundos para cada candidato, com 4 minutos a serem administrados pelo adversário para resposta é tréplica, com 2 minutos de réplica.

O embate contava com plateia, que gerou um clima de estranhamento e tensão ao longo do discurso dos candidatos, após Flávio indicar que estava sendo atrapalhado por parte da comitiva que acompanhava Lula.

No primeiro bloco, as questões foram sobre os indicadores de segurança pública, questionando os efeitos da redução da maioridade penal. Enquanto Flávio indicou que os criminosos serão “presos ou neutralizados pelas nossas polícias”, Lula usou de projetos aprovados nesta gestão, como a Lei Anti Facção, ao longo da fala. Nenhum dos postulantes respondeu de forma direta a questão da mediadora, numa tendência que se seguiu ao longo do debate.

Na abertura do segundo bloco, a questão temática e a última questão foram relacionadas à saúde. Flávio comentou sobre o possível ministro da Saúde caso seja eleito, o médico oftalmologista e empresário Claudio Luiz Lottenberg, que atua como presidente do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Lula mencionou as mortes e a condução do ex-presidente Jair Bolsonaro ao longo da pandemia de Covid-19. Flávio comentou que a gestão do pai teve o “o melhor resultado”, considerando o cenário imposto pela pandemia.

No último bloco, a pauta foi dividida entre produtividade, terras raras e, novamente, segurança pública. No entanto, entre as acusações da interferência de Eduardo Bolsonaro na política externa com Donald Trump, Lula propôs que os dois candidatos abram suas contas bancárias e seus sigilos telefônicos para análise antes do segundo turno. Flávio indicou que não tem “absolutamente nada a esconder” e defendeu cooperação entre países das Américas contra organizações criminosas, ainda que sem responder se aceitou a proposta de Lula.

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