Eleições

Relembre como foram as eleições para o governo do Rio Grande do Sul de 1982 a 2022

Correio do Povo recorda as 11 jornadas rumo ao Palácio Piratini

Capa da edição de 18 de novembro de 1982
Capa da edição de 18 de novembro de 1982 Foto : CP Memória

Neste domingo, os gaúchos voltam às urnas para encaminhar a sucessão ao comando do Palácio Piratini. Neste especial, relembre como foram as 11 trajetórias rumo ao governo do Estado, entre 1982 e 2022:

1982: vitória de Jair Soares (PSD)

Ainda durante o período da ditadura no Brasil, as eleições estaduais de 1982 restituíram o voto direto para a escolha dos governadores dos então 23 estados, mais dois territórios federais (Amapá e Roraima). O pleito ocorreu em 15 de novembro, em turno único. Anteriormente, a eleição para o cargo de governador do Rio Grande do Sul durante o regime militar era indireta e foi completamente dominada pela Arena, o partido de sustentação política da ditadura.

De 1964 até 1978, Walter Peracchi Barcelos, Euclides Triches e Sinval Guazzelli governaram representando exclusivamente a Arena. José Amaral de Sousa foi escolhido para ocupar o Piratini de 1979 a 1983 em composição entre a Arena e o PDS (Partido Democrático Social), igualmente alinhado com os generais. A disputa de 1982 foi travada com a possibilidade real da oposição ao regime — representada por todos os outros três candidatos — vencer a disputa. Jair Soares, no entanto, foi eleito pela diferença de pouco mais de 22 mil votos.

Capa da edição de 18 de novembro de 1982 | Foto: CP Memória

Turno único:

  • Jair Soares (PDS): 1.294.962 votos — 38,16%
  • Pedro Simon (PMDB): 1.272.319 votos — 37,49%
  • Alceu Collares (PDT): 775.546 votos — 22,85%
  • Olívio Dutra (PT): 50.713 votos — 1,50%

1986: vitória de Pedro Simon (MDB)

Realizada também em 15 de novembro, data da proclamação da República, a primeira eleição após o fim do regime militar foi dominada pela centro-esquerda. Concorreram Pedro Simon (PMDB), Aldo Pinto (PDT), Carlos Chiarelli (PFL), Clóvis Ilgenfritz (PT) e Fulvio Petracco (PSB). Simon foi eleito em turno único com 48% dos votos, tendo vencido em 203 dos 244 municípios do estado.

Capa da edição de 16 de novembro de 1986 | Foto: CP Memória

Turno único:

  • Pedro Simon (PMDB): 2.009.381 votos — 48,01%
  • Aldo Pinto (PDT): 1.140.228 — 27,25%
  • Carlos Chiarelli (PFL): 524.339 votos — 12,53%
  • Clóvis Ilgenfritz (PT): 256.767 votos — 6,13%
  • Fulvio Petracco (PSB): 254.599 votos — 6,08%

1990: vitória de Alceu Collares (PDT)

Já com a previsão de eleição em dois turnos (para votação inferior à metade mais um dos votos válidos), determinada pela nova Constituição, a eleição de 1990 para governador colocou à disposição dos cidadãos novamente quatro candidatos: Alceu Collares (PDT), Nelson Marchezan (do mesmo PDS de Jair Soares), José Fogaça (PMDB) e Tarso Genro (PT). O primeiro turno ocorreu em 3 de outubro, conduzindo Collares (com 36,06% dos votos) e Marchezan (33,25%) ao segundo turno. Os eliminados obtiveram 20,53% (Fogaça) e 10,16% (Tarso Genro) dos votos. Em 25 de novembro, Alceu Collares venceu por ampla margem, liderando em 276 dos 333 municípios.

Capa da edição de 26 de novembro de 1990 | Foto: CP Memória

Segundo turno:

  • Alceu Collares (PDT): 2.319.400 — 61,17%
  • Nelson Marchezan (PDS): 1.472.356 votos — 38,83%

1994: vitória de Antônio Britto (MDB)

Em 1994, as opções disponíveis para os eleitores gaúchos foram mais variadas. Seis candidatos disputaram aquela eleição, com representação mais ampla, da extrema-direita à esquerda. Em 3 de outubro, Antônio Britto (PMDB), Olívio Dutra (PT), Celso Bernardi (PPR), Sereno Chaise (PDT), Irapuan Teixeira (PRONA) e José Luiz Gomes (PRN) enfrentaram-se no último pleito realizado com cédulas de papel. Muito à frente dos demais candidatos, Britto e Olívio passaram ao segundo turno com 49,20% e 34,73% dos votos, respectivamente. Em 15 de novembro, Antônio Britto foi eleito, tendo sido o mais votado em 367 dos 427 municípios do Estado.

Capa da edição de 4 de outubro de 1994 | Foto: CP Memória

Segundo turno:

  • Antônio Britto (PMDB): 2.679.701 votos — 52,21%
  • Olívio Dutra (PT): 2.453.174 votos — 47,79%

1998: vitória de Olívio Dutra (PT)

A ascensão do PT ao governo do Estado veio em 1998. Nesse ano, o número de candidatos aumentou, passando a sete. O incumbente Antônio Britto tentava a reeleição, permitida a partir de emenda constitucional do ano anterior. O desafiante novamente foi Olívio Dutra. Os demais pretendentes ao cargo eram todos estreantes na corrida eleitoral ao Piratini: Adilson da Silva dos Santos (PRN), Emília Fernandes (PDT), Luís Marques (PPS), Luis Carlos Olinto Martins (PRONA) e Nélson Vasconcelos (PV). O primeiro turno foi disputado em 4 de outubro. Britto e Olívio passaram ao segundo turno com diferença de 24 mil votos a favor do peemedebista. Em 25 de outubro, Olívio Dutra foi eleito com uma margem exígua. O petista foi o mais votado em 150 municípios, contra 347 de Britto.

Capa da edição de 26 de outubro de 1998 | Foto: CP Memória

Segundo turno:

  • Olívio Dutra (PT): 2.844.767 votos — 50,78%
  • Antônio Britto (PMDB): 2.757.401 votos — 49,22%

2002: vitória de Germano Rigotto (MDB)

A primeira eleição do século XXI trouxe o maior número de candidatos em um único pleito dentre todos os disputados até hoje. Olívio Dutra, eleito em 1998, não tentou a reeleição. Os concorrentes eram 12: Germano Rigotto (PMDB), Tarso Genro (PT), Antônio Britto (PPS), Celso Bernardi (PPB), Aroldo Medina (PL), Caleb de Oliveira (PSB), Julio Flores (PSTU), José Maria Rodrigues de Vilhena (PV), Carlos Otávio Schneider (PSC), Luiz Carlos Olinto Martins (PRONA), Oscar Jorge de Souza (PCO) e Luiz Carlos Coelho Prates (PTN). O primeiro turno, disputado em 6 de outubro, concentrou os votos nos candidatos do PMDB e do PT: Rigotto obteve 41,17%, seguido por Tarso Genro, com 37,25%. No segundo turno, em 27 de outubro, Rigotto foi eleito com mais de 3 milhões de votos.

Capa da edição de 7 de outubro de 2002 | Foto: CP Memória

Segundo turno:

  • Germano Rigotto (PMDB): 3.148.788 votos — 52,67%
  • Tarso Genro (PT): 2.829.527 votos — 47,33%

2006: vitória de Yeda Crusius (PSDB)

Olívio Dutra (PT) tentou o retorno ao Piratini contra outros nove candidatos: Yeda Crusius (PSDB), Germano Rigotto (PMDB), Francisco Turra (PP), Alceu Collares (PDT), Roberto Robaina (PSOL), Beto Grill (PSB), Edison Pereira (PV), Guilherme Giordano (PCO) e Pedro Couto (PSDC). Yeda foi a mais votada no primeiro turno (realizado dia 1° de outubro), com 32,90% dos votos. O desafiante para o segundo turno saiu de uma disputa verdadeiramente acirrada. Olívio ficou à frente de Germano Rigotto por pouco mais de 16 mil votos, com percentuais de 27,39% e 27,12%, respectivamente. Mas não adiantou. Em 29 de outubro, Yeda Crusius foi a escolhida da maioria dos gaúchos, liderando a votação em 360 municípios, enquanto o petista foi o mais votado em 136.

Capa da edição de 30 de outubro de 2006 | Foto: CP Memória

Segundo turno:

  • Yeda Crusius (PSDB): 3.377.973 votos — 53,94%
  • Olívio Dutra (PT): 2.884.092 votos — 46,06%

2010: vitória de Tarso Genro (PT)

Desde que passaram a ser previstos dois turnos para a escolha de governadores, a eleição gaúcha de 2010 ficou marcada como a única decidida ainda no primeiro deles. Nove candidatos se apresentaram ao pleito: Tarso Genro (PT) em nova tentativa após 2002, a então governadora Yeda Crusius (PSDB), José Fogaça (PMDB), Montserrat Martins (PV), Pedro Ruas (PSOL), Aroldo Medina (PRP), Júlio Flores (PSTU), Carlos Schneider (PMN) e Humberto Carvalho (PCB). Na votação realizada em 3 de outubro, Tarso Genro garantiu mais que o dobro de votos do segundo colocado e encerrou a disputa com a vitória em 463 municípios do Estado, contra 20 de Fogaça e 13 de Yeda.

Capa da edição de 4 de outubro de 2010 | Foto: CP Memória

Primeiro turno:

  • Tarso Genro (PT): 3.416.460 votos — 54,35%
  • José Fogaça (PMDB): 1.554.836 votos — 24,74%
  • Yeda Crusius (PSDB): 1.156.386 votos — 18,40%

2014: vitória de José Ivo Sartori (MDB)

Excetuando-se o incumbente, a eleição de 2014 representou uma quase total renovação no elenco das candidaturas. Significou também a eleição pós-redemocratização com o menor número de pretendentes. A disputa começou com oito concorrentes, mas foi reduzido a sete após a rejeição da candidatura de João Carlos Rodrigues (PMN) por problemas na prestação de contas da eleição de 2010. Assim, puderam ser votados o governador em exercício Tarso Genro (PT), José Ivo Sartori (PMDB), Ana Amélia Lemos (PP), Vieira da Cunha (PDT), Roberto Robaina (PSOL), Edison Estivalete (PRTB) e Humberto Carvalho (PCB). No dia 5 de outubro, Sartori e Tarso lideraram as votações com 40,40% e 32,57%, respectivamente. Três semanas depois, José Ivo Sartori foi eleito com quase 4 milhões de votos e a maior margem das votações recentes.

Capa da edição de 6 de outubro de 2014 | Foto: CP Memória

Segundo turno:

  • José Ivo Sartori (PMDB): 3.859.611 votos — 61,21%
  • Tarso Genro (PT): 2.445.664 votos — 38,79

2018: vitória de Eduardo Leite (PSDB)

José Ivo Sartori concorreu à reeleição em processo eleitoral marcado pelo tensionamento do clima social em todo o país. Nos quatro anos que separaram essa da eleição anterior, os escândalos da Operação Lava-jato, o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a prisão do ex-presidente Lula e a ascensão do bolsonarismo agitaram o Brasil, projetando no pleito de 2018 um ponto de inflexão na história da democracia no país. A corrida ao Piratini não destoou do cenário geral. José Ivo Sartori (MDB) foi desafiado por Eduardo Leite (PSDB), Miguel Rossetto (PT), Jairo Jorge (PDT), Mateus Bandeira (NOVO), Roberto Robaina (PSOL), Júlio Flores (PSTU) e Paulo de Oliveira Medeiros (PCO). O petista sofreu as consequências do estado de ânimo geral e angariou apenas 17,76% dos votos no primeiro turno, realizado no dia 7 de outubro. Eduardo Leite liderou a votação com 35,90%, passando ao segundo turno contra Sartori, que recebeu 31,11%. Em 28 de outubro, Leite repetiu o desempenho e elegeu-se governador pela primeira vez.

Capa da edição de 29 de outubro de 2018 | Foto: CP Memória

Segundo turno:

  • Eduardo Leite (PSDB): 3.128.317 votos — 53,62%
  • José Ivo Sartori (MDB): 2.705.601 votos — 46,38%

2022: vitória de Eduardo Leite (PSDB)

O Rio Grande do Sul foi às urnas empreendendo uma lenta recuperação da pandemia de Covid e em meio à polarização política representada pelo retorno de Lula ao cenário nacional e a tentativa de reeleição do então presidente Jair Bolsonaro. Eduardo Leite tentava superar um obstáculo até então intransponível: desde o fim da ditadura, nenhum governador eleito conseguiu voltar ao Piratini pelas urnas no processo eleitoral seguinte. Leite concorreu com Onyx Lorenzoni (PL), Edegar Pretto (PT), Luis Carlos Heinze (PP), Roberto Argenta (PSC), Vieira da Cunha (PDT), Ricardo Jobim (NOVO), Vicente Bogo (PSB), Rejane de Oliveira (PSTU) e Carlos Messalla (PCB). No dia 2 de outubro, o incumbente ficou atrás de Lorenzoni, que venceu o primeiro turno com 37,50% dos votos, contra 26,81% de Eduardo Leite. Edegar Pretto chegou a 26,77% e o voto da esquerda se mostraria decisivo no segundo turno. Em 30 de outubro, a votação de Leite foi acrescida de quase dois milhões de votos, suplantando Onyx em disputa que ecoava a corrida presidencial, já que Lorenzoni identificava-se como candidato bolsonarista. Pela primeira vez, um governador do Estado era escolhido para mais quatro anos no cargo.

Capa da edição de 31 de outubro de 2022 | Foto: CP Memória

Segundo turno:

  • Eduardo Leite (PSDB): 3.687.126 votos — 57,12%
  • Onyx Lorenzoni (PL): 2.767.786 votos — 42,88%

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