Eleições

Serra discursa em Gramado

Presidenciável reivindicou a paternidade do Programa de Saúde da Família (PSF)

Tucano está na Serra Gaúcha
Tucano está na Serra Gaúcha Foto : Camila Domingues / AFP / CP
Os dois pré-candidatos que lideram as pesquisas ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), participaram nesta quinta-feira do Congresso Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, em Gramado, e apresentaram propostas de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) para cerca de três mil profissionais da área. O fato de os dois presidenciáveis cumprirem agenda no Estado no mesmo dia reforça a importância atribuída ao Rio Grande do Sul no cenário eleitoral. Por acreditar que o voto dos gaúchos poderá mudar os rumos do pleito, Dilma e Serra travam por aqui uma disputa especial em busca de eleitores e de apoios políticos.

O tucano foi recepcionado por um público que se mostrou simpático as suas propostas. Sentindo-se confortável, falou por mais de 90 minutos. Serra recordou, reiteradamente, o período em que foi ministro da Saúde durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Ele também abordou a regulamentação da emenda 29, lembrando que participou ativamente da construção da normativa. E defendeu a imediata implementação plena da legislação para garantir mais recursos à saúde. "A minha opinião é de que devemos propor o aumento de verbas para a saúde, mas sem necessariamente ter que aumentar impostos. Pretendo regulamentar a emenda 29 no início do ano", afirmou.

Serra ainda se declarou contrário a extinção da CPMF, relatando que chegou a se desentender com colegas de partido por defender a manutenção do imposto. Entretanto, ele culpou a base do governo Lula pela perda dos R$ 40 bilhões anuais. "Não venham me dizer que a oposição foi responsável pela derrubada da CPMF. Foi a base do governo, que tem maioria para aprovar qualquer coisa no Congresso", rebateu.

Citando como exemplo os programas implementados em São Paulo no decorrer do seu governo, Serra defendeu maior atenção aos projetos de qualificação profissional. "Vamos fazer um curso de treinamento para formar com diploma 300 mil técnicos em enfermagem. Deu certo em São Paulo. Um hospital depende basicamente do seu corpo de enfermagem", analisou, dizendo que pretende desenvolver a proposta com recursos do BID.

O presidenciável ainda criticou a suposta politização dos cargos na área da saúde que teria sido promovida pelo governo Lula. "O loteamento político na saúde é grave. As agências de regulação, como a Anvisa, estão loteadas. Temos que despolitizar a saúde. Isso não significa que não terá políticos, mas evitará o troca-troca", defendeu. O tucano citou a continuidade da queda da mortalidade infantil como meta e reivindicou a paternidade do Programa de Saúde da Família (PSF). "Fomos nós, de fato, que criamos esse programa", declarou.

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