Eleições

Veja como foi a passagem de Lula em Porto Alegre

Acompanhado de lideranças gaúchas, candidato faz caminhada do Largo dos Açorianos ao Mercado Público

Multidão de apoiadores lotou o trecho entre a Praça dos Açorianos e o Largo Glênio Peres
Multidão de apoiadores lotou o trecho entre a Praça dos Açorianos e o Largo Glênio Peres Foto : Fabiano do Amaral

Eduardo Zanotti, João Streb e Luana Pazutti*

Em uma passagem relâmpago pela Capital, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) realizou um comício em busca de uma vitória no segundo turno das eleições. Na passagem por Porto Alegre a poucos dias do pleito, o candidato reuniu apoiadores, lideranças políticas e militantes para uma caminhada que se estendeu do Largo dos Açorianos até o Largo Glênio Peres, em frente ao Mercado Público, no Centro da cidade. Em pronunciamento, Lula reafirmou que vai disponibilizar à Justiça Eleitoral nesta terça-feira (20) o acesso ao sigilo telefônico e bancário dele, dos cinco filhos e da esposa, Janja Lula da Silva.

Também cobrou que o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), que faça o mesmo. Ele já havia proposto este “desafio” durante o último debate presidencial. “Ontem (domingo) eu ouvi mentiras e mentiras”, enfatizou, para, após dizer que, se ele fizer o mesmo, pode provar.

Questionou novamente o candidato do PL sobre o pedido de R$ 134 milhões ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). “Quero saber onde estão os R$ 134 milhões do Banco Master”, afirmou o petista. Em outro momento, o presidente convocou os apoiadores a buscar eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.

Lula ficou em segundo lugar no dia 4 de outubro, com 45,16%, tendo Flávio à frente. Com esse resultado, a articulação do partido tem atuado para reverter esse quadro, ampliando as mobilizações de rua e nas redes sociais. Outro tema que permeou as manifestações do presidente foi em relação à soberania nacional. Com a bandeira nacional nas mãos, disse que o Brasil não deve ser subordinado por outro país.

Críticas contra Flávio atravessaram discursos

Um dia após o primeiro debate eleitoral na disputa à presidência da República, Lula não perdeu a oportunidade de ampliar as críticas ao adversário. Em coletiva, antes do início da caminhada, Lula criticou a postura do adversário no debate da Band.

A dinâmica possibilitava que os candidatos circulassem atrás do adversário durante a resposta, um movimento que foi mais utilizado por Flávio. “Não posso permitir que um miliciano fique atrás de mim no debate, com um escrito de ‘corrupto’. Corrupta é a família dele”, comentou Lula, em tom acusatório contra Flávio e a família Bolsonaro. O candidato do PT disse que quebrar o sigilo bancário e telefônico seria uma oportunidade de Flávio provar que é honesto. Ainda no pronunciamento, Lula pontuou que deseja que a justiça investigue, para que a população brasileira possa saber “quem é e quem não é ladrão nesse país”.

O candidato à reeleição para um quarto mandato também pontuou que é uma forma de evitar boatos contra a própria família. “Toda eleição inventam algo contra a minha família. Eu resolvi não ficar quieto. Essa é minha última eleição, não posso deixar que um ladrão jogue minha biografia no lixo”, disse Lula. Ele se referia às críticas do adversário envolvendo o possível envolvimento do seu filho, Lulinha, em casos de corrupção, que voltaram à tona com a entrevista da lobista Roberta Luchsinger, no sábado. O assunto foi usado pelo adversário durante o debate.

Atmosfera entre os apoiaores e a relação com o RS

Lágrimas, abraços, bandeiras, música e gritaria embalam o ato que reuniu militantes no entorno dos carros ao longo de todo o comprimento do percurso, assim como nas sacadas e janelas dos prédios no Centro Histórico. Lula, que passou o percurso dançando e cumprimentando apoiadores, fez o trajeto em um carro, acompanhado da primeira-dama; dos ex-governadores Olívio Dutra e Tarso Genro; do senador Paulo Paim; do ex-governador da Bahia, Rui Costa; e do governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles. Ao se intercalarem, todos discursaram e enfatizaram a importância da mobilização política nesta reta final de campanha. “Essa é a passeata dos brasileiros e brasileiras que amam a bandeira nacional e não a bandeira americana”, disse Lula, durante o percurso. “Este é o país daqueles que amam o nosso Brasil, por isso, companheiras e companheiros, é uma alegria estar aqui.”

Ao som de “ucho-ucho-ucho, o Lula é gaúcho”, o presidente relembrou a conexão com o Rio Grande do Sul, quando esteve pela primeira vez nos anos 70, ainda como sindicalista, além de recordar Leonel Brizola e a Campanha da Legalidade. Atrás do carro de Lula, estava a majoritária derrotada no RS: a candidata ao governo do Estado, Juliana Brizola, do PDT; o candidato a vice-governador, Edegar Pretto, do PT; e os candidatos ao Senado Federal, Manuela d’Ávila, do PSol, e Paulo Pimenta, do PT.

Os ex-governadores Tarso Genro e Olívio Dutra discursaram e relembraram projetos emblemáticos do PT no RS. Tarso Genro colocou Porto Alegre como “a capital do orçamento participativo (OP)”, em referência ao projeto criado pelo partido de gestão pública, e que agora será conhecida como a “capital da vitória, da dignidade política desse país”.

Já Olívio Dutra reiterou que a vitória confirmaria “a democracia”. “Nós queremos a cidadania, que está prevista na Constituição. O Brasil respeitado no mundo, não subordinado”, salientou. Outro líder político que acompanhou o trajeto foi o senador Paulo Paim (PT), que deixará o cargo no início do próximo ano e que defendeu a importância do projeto recém-promulgado do fim da escala 6x1.

Na Borges de Medeiros, quase na Esquina Democrática, o candidato classificou a passeata foi um marco. “Vim nos anos 70 conhecer aqui. Lamentavelmente, teve anos que a direita dominou. Mas o Rio Grande do Sul não pode se deixar ser dominado pela direita. Esse estado é um símbolo da resistência”, afirmou Lula.

“É uma imensa alegria estar aqui. Esse povo extraordinário, que tem a história de defesa, como (Leonel) Brizola e a campanha da Legalidade (movimento da década de 1960 para garantir a posse de João Gourlart como presidente do Brasil). Esse é o país daqueles que amam o nosso Brasil”, disse o candidato à reeleição.

*Supervisão de Thiago Padilha

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