Eleições

Voto conservador determinou vitória de Tarso e Serra no Estado, avalia especialista

Campanha moderada de petista e apoio de grandes partidos a tucano influenciaram gaúchos

Enquanto Tarso Genro (PT) venceu no primeiro turno a eleição para o governo do Estado – conquista inédita no Rio Grande do Sul – a maioria dos gaúchos (50,93%) escolheu José Serra, do PSDB, partido de oposição ao PT, para presidente do Brasil no segundo turno. Essa contradição pode ser explicada pelo voto conservador, segundo o cientista político e professor da Unisinos Bruno Lima Rocha. De acordo com ele, os votos dos eleitores de centro-direita foram divididos no primeiro turno. O candidato petista conquistou parte dos conservadores ao fazer campanha com foco no desenvolvimento e Serra ganhou o apoio dos grandes partidos gaúchos.

“A campanha do Tarso foi muito sóbria e evitou a tensão social. Ele também tinha o apoio da camada beneficiada pelos programas sociais federais, como o Bolsa Família”, disse Rocha. “No meu entendimento, ele conseguiu conquistar o público conservador tentando reproduzir o modelo da Prefeitura de Canoas, que foi uma das que fez a convocação de partidos que seriam de oposição.”

Aliado a isso, para Rocha, a grande rejeição a Yeda Crusius (PSDB) pode ter favorecido o chamado “voto útil”, semelhante ao que ocorreu em 2006, quando ela foi eleita. Há quatro anos, os eleitores de direita temiam um segundo turno entre Germano Rigotto (PMDB) e Olívio Dutra (PT) e por isso votaram na tucana, como sendo uma terceira opção, conforme o cientista político.

Dessa vez, a governadora tinha em sua coligação o partido de extrema direita PP. No entanto, mesmo os progressistas não unificaram apoio a ela, já que alguns prefeitos abriram voto para José Fogaça (PMDB). “Eu lembro de uma primeira entrevista da Ana Amélia Lemos (então candidata ao Senado pelo PP) em que ela não confirmou apoio a Yeda.”

Fogaça seria o terceiro caminho entre a polarização que seria formada por Yeda e Tarso, mas na avaliação de Rocha, a estratégia de marketing do candidato não funcionou. “Ele dizia estar praticando 'neutralidade ativa' para tentar ser a opção neutra, como Rigotto em 2002, mas não deu certo”, explicou. Além disso, Fogaça foi prejudicado pela coligação nacional do seu partido que estava com Dilma Rousseff (PT). "O eleitor ficou confuso."

“O voto conservador foi fracionado e se criou uma condição que se somou ao voto útil contra a Yeda para ela não ir ao segundo”, ressaltou Rocha. “A rejeição era muito alta. Até me surpreendeu o número de votos, porque achei que ela faria menos.”

Já a inesperada virada de José Serra no Rio Grande do Sul, o cientista político atribui ao apoio dos grandes partidos gaúchos a ele. “A maioria do PMDB e do PP, partidos que têm grande peso no interior, se jogou de cabeça na campanha do Serra, além do DEM.” Outra sigla importante do Estado, o PDT, que havia ficado rachada na coligação de Fogaça, ficou dividida, na análise de professor, o que favoreceu o tucano.

Veja os números das eleições no 1º e 2º turno no Estado



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