Comunicação, militância e reputação. Esses foram os principais temas do painel de encerramento do Compol-RS, que reuniu dirigentes partidários para debater os rumos da política gaúcha, especialmente em ano eleitoral. O evento, organizado pela Critério, aconteceu no Instituto Ling, em Porto Alegre, entre os dias 17 e 18 de março, e contou com a participação de profissionais da comunicação, lideranças políticas, gestores públicos e especialistas em estratégia eleitoral.
Cinco lideranças partidárias estiveram presentes no último encontro da programação: deputado federal Covatti Filho, que é presidente do Progressistas-RS (PP); secretário de Educação de Porto Alegre Leonardo Pascoal, representando o Partido Liberal (PL); prefeito de Osório, Romildo Bolzan, que é presidente do PDT-RS; deputada estadual Sofia Cavedon, que é vice-presidente do PT-RS; e o deputado estadual Vilmar Zanchin, que é presidente do MDB-RS.
O vereador Moisés Barboza, que é presidente estadual do PSDB, também foi convidado, mas não compareceu devido à votação do Plano Diretor de Porto Alegre na Câmara Municipal. A mediação do painel foi da jornalista Soraia Hanna.
Desafios
Para o deputado Covatti Filho (PP), os novos tempos exigem adaptações da política tradicional. “Nas redes sociais, tu não pode errar. E isso faz com que os candidatos tenham que se preparar e se cercar de bons profissionais”, afirmou. Diante de um cenário cada vez mais polarizado, o progressista reforça a importância de demonstrar, com clareza, o seu posicionamento político aos eleitores.
Embora reconheça os desafios da comunicação, o deputado Vilmar Zanchin (MDB) acredita estar preparado para enfrentá-los por meio de uma campanha majoritária na qual o “candidato se mostre por inteiro”. “Por mais que você trabalhe o candidato, a figura, o personagem, na hora do debate, o candidato vai se revelar com a sua profundidade, suas convicções e sua capacidade”, destacou.
Romildo Bolzan (PDT), que afirma “detestar fazer campanhas”, defendeu uma comunicação sincera, que transmita valores. “Acho que a melhor percepção de campanha é aquela que o eleitor tem de ti como ser humano. A coisa pior que tem é transfigurar um candidato em uma outra pessoa que ele não é”, ponderou. “Eu não suporto polarização, mas gosto de nitidez ideológica”, completou o prefeito de Osório.
"A gente sempre faz uma escolha de que a comunicação possa traduzir verdade”, afirmou a deputada Sofia Cavedon (PT), que aposta na nitidez do projeto político. “A campanha é um momento muito importante de mobilização. Nós lutamos pela mudança do sistema político eleitoral, mas é um momento extraordinário em que a população para para pensar”, defendeu.
Leonardo Pascoal (PL), que representou presidente estadual do partido Giovani Cherini (PL) no painel, destacou a importância de campanhas autênticas. Para ele, o maior desafio para a comunicação está na complexidade do eleitorado. “Hoje a gente está diante de uma sociedade muito mais complexa do que a gente tinha há décadas atrás. As preferências e as prioridades são muito mais individualizadas, são muito mais heterogêneas”, destacou o secretário municipal de Educação.
Perspectivas
Os cinco partidos se preparam para a disputa pelo Palácio do Piratini. No painel, todos os dirigentes afirmaram que a mobilização para as eleições não é de agora. Desde o ano passado, os partidos já têm articulado encontros regionais.
Zanchin, que avalia o pleito de 2026 como o mais importante dos últimos tempos, reforçou a pré-candidatura de Gabriel Souza (MDB), que é o atual vice-governador do Estado. “Pelo histórico de contribuição ao nosso Estado, nós não podemos deixar de lançar candidato a governador. E pelo tamanho do nosso partido também”, defendeu o dirigente, que considera o MDB como um “ponto de equilíbrio” entre a direita e a esquerda.
“Nós temos consciência que esta é uma eleição pluralizada, mas nós confiamos muito na nossa proposta”, afirmou. O deputado estadual destacou que uma coligação ainda está em formação e pode passar por mudanças até o final da janela partidária.
- Pesquisa mostra cenários da disputa para governador do RS
- Impasse sobre futuro de Eduardo Leite permanece até final de março
- Painel com pré-candidatos ao governo do Estado mostra acirramento da disputa eleitoral
A pré-candidatura de Edegar Pretto é a aposta do PT, que segundo Sofia, permanece constantemente mobilizado junto à militância partidária. “A mobilização social popular vale a pena e pode mudar a correlação de forças, pode fazer acontecer mudanças que desacomodem os privilégios”, completou. A deputada destacou ainda que o PT vive um momento de renovação, com encontros regionais e mudanças nas direções partidárias.
O prefeito de Osório, que está à frente do PDT estadual, entende a pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT) ao Piratini como uma “possibilidade para fazer política de maneira diferente”. O partido retomará a agenda de encontros regionais em abril. A perspectiva é que a candidatura seja culminada no dia 21 de junho, data do aniversário de falecimento do ex-governador gaúcho Leonel Brizola (PDT).
“A candidatura da Juliana, para nós, tem vários valores significativos. Mulher, jovem, valores políticos do nome", defendeu Bolzan, que comentou a possibilidade de dividir um palanque com o PT. “O que está sendo priorizado neste momento são as eleições nacionais.”
Covatti Filho, por sua vez, acredita que o contato com a militância é o maior diferencial do partido. "Nosso sistema eleitoral não permite que a gente se desmobilize. Nós somos o maior partido do Estado. O Progressistas tem esse desafio de se mobilizar, de estar próximo”, afirmou. Para o deputado, o partido também tem se dedicado à renovação.
As duas siglas de direita, PP e PL, estão em ritmo decisivo. A aliança acordou que lançará à disputa pelo Piratini o pré-candidato melhor colocado nas pesquisas. Considerando as últimas pesquisas, Luciano Zucco (PL) é o mais cotado para assumir a tarefa. “A gente tem se organizado para, ainda mais agora, percorrer todas as regiões do Estado para discutir com a sociedade um programa alinhado aos nossos princípios e valores”, destacou Pascoal, que decidiu não concorrer a deputado em 2026.
*Supervisão Mauren Xavier