Eleitores do candidato esquerdista à presidência, Fernando Haddad (PT), foram às urnas neste domingo com livros debaixo do braço. Os títulos - "Angústia", "1984" e "Como as Democracias Morrem", entre outros - foram escolhidos ante a possibilidade de Jair Bolsonaro (PSL) conquistar a presidência.
Nas redes sociais, usando as hashtags #LivroSim e #ArmaNao, eleitores de Haddad protestaram contra o projeto do favorito, Bolsonaro, de flexibilizar o porte de armas, e em resposta a vídeos que circularam no primeiro turno mostrando eleitores pressionando os botões da urna eletrônica com uma arma.
Os apoiadores de Haddad publicaram fotos dos livros que levaram às urnas: a internauta Fernanda Oliveira escolheu "Angústia", de Graciliano Ramos, enquanto @SraEsposito optou por "Tá Todo Mundo Mal", da blogueira e youtuber Jout Jout.
Também se uniu à campanha a deputada do PT Maria do Rosário, que optou pelo livro "Brasil: Nunca Mais", escrito clandestinamente durante os chamados "anos de chumbo". "É uma corajosa denúncia da ditadura", disse.
Capitão reformado do Exército e nostálgico da ditadura, Bolsonaro desperta em um setor da população o temor do retorno dos anos de perseguição e tortura. O ato simbólico deste domingo buscou denunciar as falas e os projetos de Bolsonaro e mostrar apoio a Haddad, ex-ministro da Educação.
"Como as Democracias Morrem", de Daniel Ziblatt e Steven Levitsky; "Como Conversar com Um Fascista", de Marcia Tiburi; e "Unidos pela Liberdade", de Rafael Guimarães, foram outros livros escolhidos pelos eleitores. Também foram às urnas clássicos como "1984", de George Orwell, e biografias de defensores famosos dos direitos humanos, como Malala Yousafzai e Martin Luther King.
Eleitores de Haddad levam livros às urnas
"Angústia", "1984" e "Como as Democracias Morrem" estão entre as principais escolhas