Política

Elite tem dificuldade de entender linguagem do governo, diz Yeda

Governadora concedeu entrevista à Rádio Guaíba

A governadora do Estado do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, concedeu entrevista à Rádio Guaíba, diretamente da Rádio da Legalidade, no Palácio Piratini. Ela disse que nesses três anos de governo não tem conseguido ensinar a linguagem da sua gestão sem "sofrimento e sem dor". "Votar em uma mulher é uma coisa que a população está disposta a fazer. Não houve preconceito na hora dos votos, mas na hora de governar é diferente, até mesmo as pessoas mais próximas acham que devem preservar a governadora", declarou. Segundo Yeda, a elite tem mais dificuldade de entender a língua de sua administração.

"A elite é que vem governando e tendo todo o tipo de poder, ela está acostumada a uma linguagem diferente da minha. Eu vejo um problema, eu busco resolver, eu não fecho os olhos, por isso o nosso governo é de resultados", explicou. De acordo com ela, no fechamento do ano o governo terá receita igual à despesa. "Nós pagamos tudo, não devemos para ninguém", garantiu.

A governadora disse durante a entrevista que o Rio Grande do Sul pede R$ 94 milhões, desde agosto, de empréstimo ao Banco do Brasil para compesar as perdas com a Lei Kandir. Ela mencionou que de acordo com um jornal do centro do País, nenhum Estado governado pelo PSDB recebeu o empréstimo prometido pelo governo federal. Yeda afirmou ainda que os governadores do PT já tiveram aval para o repasse dos recursos. "Os documentos já estão todos com o Tesouro nacional, nós estamos de acordo com a lei de responsabilidade fiscal, eu tenho certeza que o ministro (Guido) Mantega vai nos dizer por que está demorando tanto", afirmou.

Projeto sobre a Brigada Militar

A governadora falou sobre o projeto que será votado pelo Legislativo, na terça-feira, referente aos funcionários da Brigada Militar, que entre outras coisas, prevê o pagamento pelo PM de 11% de previdência. "Quando todos pagarem igual, todos poderão pagar menos. É uma questão de Justiça." "Nós queremos aplicar a lei dos 11% do governo federal que é de 2003", completou.

Sobre a proposta de escalonamento, negociada com a categoria pela base aliada na Assembleia, a governadora disse que isso implica em "eu avaliar o meu orçamento". Sobre o aumento linear, também reivindicado pela categoria, ela argumentou: "Eu não vejo problema na proposta do aumento linear, mas isso não está no nosso cálculo, no nosso orçamento, que foi aprovado pela Assembleia."

No orçamento, segundo Yeda, está previsto R$ 1 bilhão a mais para folha de pagamento. "Se aumentarmos 1% desde volume, isso foge do orçamento e também impede que a gente coloque outras categorias que não ganharam a Lei Britto."

Projeto sobre o magistério

Com relação aos projetos sobre os educadores estaduais, a governadora disse: "O magistério quer a melhoria daqueles que ganham pouco. A categoria quer piso de R$ 1,5 mil. Nós não estamos mudando a carreira. Um dos projetos é criar uma matriz salarial para o magistério, que é ganho, mais ganho." Ela disse que não deve retirar o regime de urgência para a votação.

Ela também ressaltou que as manifestações do Cpers/Sindicato são políticas.

Eleições 2010

A governadora afirmou que vai discutir o projeto político para as eleições com o seu partido, o PSDB, somente em 2010. "Quando o PSDB teve cabeça de chapa, nós ganhamos as eleições, eles sabem disse, que quando tem candidato, o partido faz boa votação aqui."

Denúncias

A governadora também comentou as denúncias sobre corrupção que tem sofrido ao longo de todo o mandato: "Parece um massacre, não para nunca, nunca se tem uma prova."

"Eu fui atacada, a Justiça respondeu a processos muito agressivos e disse que não há nada contra a governadora , não tem nenhuma fita, nenhum cheque, nenhuma prova", completou. "As denúncias se repetem".