Política

Em 15 dias, governo Temer já coleciona polêmicas

Primeira quinzena começou com ministério com investigados e ficou marcada por gravação de Jucá contra Dilma e Lava-Jato

Primeira quinzena foi marcada desde ministério com investigados até gravação de Jucá contra Dilma e Lava-Jato
Primeira quinzena foi marcada desde ministério com investigados até gravação de Jucá contra Dilma e Lava-Jato Foto : Evaristo Sá / AFP / CP
A nova crise política, com a liberação das gravações de Sérgio Machado com Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney, definiu os primeiros 15 dias do governo interino de Michel Temer. Foi um período de desgaste no campo político na escolha de um ministério de nomes questionáveis, envolvido em protestos contra sua gestão e o afastamento de Dilma Rousseff, além da revelação de medidas polêmicas no campo de economia, saúde, educação e cultura.

No primeiro dia de governo, em 12 de maio, as críticas se concentraram na falta de diversidade na escolha do ministério Temer, que incluiu acomodações políticas, focou principalmente no setor econômico e não abriu espaço para mulheres ou outras etnias no primeiro escalão. Já estava lá, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, que 11 dias depois seria pivô do primeiro grande escândalo no governo recém-formado. Com o governo ainda engatinhando, Temer precisou reforçar que manteria a escolha do procurador-geral da República por lista tríplice, após seu novo ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, defender uma escolha de integrante de carreira da Justiça, sem voto do Ministério Público.

O próximo passo que gerou dúvidas foi a escolha de André Moura como líder do governo na Câmara dos Deputados. Um dos membros da chamada “tropa de choque” de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente afastado da Casa, ele também é formalmente investigado pela operação Lava Jato. Entre outras acusações, Moura também responde perante o Supremo Tribunal Federal à acusação de tentativa de homicídio em Sergipe.

A escolha de Pedro Parente para a diretoria da Petrobras também ganhou manchetes menores com a formalização de Moura em 19 de maio. E, um dia depois, o anúncio de suspensão de novos projetos do Minha Casa, Minha Vida. Sob pressão dos segmentos culturais e de educação, no dia 21, Temer cedeu e anunciou que o Ministério da Cultura seria recriado, mas ainda assim não houve tranquilidade ao novo presidente. No dia seguinte novas questões surgiram sobre a possibilidade do governo buscar projetos de flexibilização da CLT na reforma trabalhista.

O protesto que cercou a casa de Temer em São Paulo acabou sendo uma dor de cabeça muito menor do que o amanhecer seguinte, em 23 de maio. Foi o dia em que a Folha de S.Paulo estampou na capa as gravações de Jucá buscando um pacto para deter a Lava-Jato, o que incluiria o impeachment da presidente Dilma. Um dos homens fortes de Temer, Jucá tornou-se o primeiro ministro da nova gestão a cair.

Na hora de comemorar ao menos a aprovação no Congresso da nova meta fiscal, surgiram mais áudios gravados pelo ex-senador Sérgio Machado, incluindo conversas com Calheiros e Sarney, mantendo em suspense sobre a relação do novo governo com a operação Lava-Jato.

Veja abaixo os principais eventos desta quinzena: