Política

Em entrevista a jornalistas estrangeiros, Dilma volta a falar em golpe e se diz vítima de uma fraude

Presidente lembrou que ela não pode ser julgada pela crise econômica do País

Presidente retomou, em entrevista a jornalistas estrangeiros, as críticas ao processo de impeachment contra ela
Presidente retomou, em entrevista a jornalistas estrangeiros, as críticas ao processo de impeachment contra ela Foto : Roberto Stuckert Filho / PR / CP
A presidente Dilma Rousseff retomou nesta terça-feira, em entrevista a jornalistas estrangeiros, as críticas ao processo de impeachment contra ela, cuja admissibilidade foi aprovada na Câmara e agora tramita no Senado. "Estou
sendo vítima de um processo baseado em uma flagrante injustiça e fraude jurídica e política e, ao mesmo tempo, de um golpe. O Brasil tem um veio golpista adormecido", afirmou.

Dilma disse ter certeza que não houve um único presidente depois da redemocratização do Brasil que não enfrentou processo de impeachment no Congresso e lembrou que ela não pode ser julgada pela crise econômica do País. "Me culpam como se eu fosse responsável pelo fim do superciclo da commodities, como se no resto do mundo essas dificuldade não fossem em escala maior."

A presidente criticou parlamentares que falaram no dia da votação que o País cortou 10 milhões de empregos, mas que o montante é 2,6 milhões de cargos, "o que é uma lástima", de acordo com Dilma. "Se argumentação de crise econômica fosse argumento para tirar presidente, não teria um presidente em país desenvolvido."

Ela retomou ainda o discurso de que a crise foi ampliada por conta da eleição de 2014, quando derrotou o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por uma margem estreita, de 3,5 milhões de votos. "Essa eleição tornou a oposição derrotada bastante reativa e, com isso, começou um processo de desestabilização do mandato desde o início dele. Esse segundo mandato tem o signo da desestabilização política", afirmou.

Dilma voltou também a criticar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e reservou um longo tempo para tentar explicar as chamadas pedaladas fiscais, base do pedido de impeachment. Segundo ela, o impeachment é por questões contábeis e não pelo mau uso do dinheiro público. "Não tenho nenhum processo por corrupção e qualquer irregularidade com dolo ou má-fé. Sou vítima de um processo de meias verdades. O impeachment é previsto na Constituição, mas é necessário haver crime de responsabilidade", disse a presidente, repetindo que o processo é golpe por não haver o base legal para isso.

Dilma destacou novamente que Cunha é investigado por lavagem de dinheiro e por ter contas no exterior e só acatou o impeachment contra ela porque o governo não aceitou negociar votos para livrá-lo da comissão processante na Câmara. "Me sinto vítima de um processo no qual os meus julgadores, principalmente o presidente da Câmara, tem um retrospecto que não o abona para ser juiz da nada, mas para ser réu", afirmou.

A presidente também considerou que houve um "componente forte de gênero" no tratamento dado a ela durante o processo de impeachment, pelo fato de ser mulher e comandar o País. "Em muitos casos, o tratamento dado a mim, inclusive em texto de órgão de imprensa, foi com misoginia", afirmou a petista.

Dilma citou também o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), chamado ele novamente de "conspirador".