O padre Jaime Crowe, da igreja do Jardim Ângela, na periferia da zona sul de São Paulo, aproveitou a presença do candidato do PT à presidência, Fernando Haddad, durante missa para celebrar o dia da padroeira do Brasil, nesta sexta-feira, para criticar a proposta do candidato do PSL, Jair Bolsonaro, sobre e flexibilização do uso de armas.
Jaime Crowe se dirigiu aos fiéis como "companheiros’’, cumprimentou os políticos. “Nos sentimos honrados com a presença de vocês”, disse.
A crítica a Bolsonaro foi durante a homilia, mas sem citar o nome do presidenciável. “Como chegamos aonde estamos? Quando alguém pode dizer para nós bandido bom é bandido morto. Alguém pode dizer para nós: tem que armar todo mundo. Arma é instrumento da morte’’.
Proibição
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbe desde 30 de agosto de 2.000 propaganda e campanha política em templos religiosos. Em vários Estados, o Ministério Público Eleitoral já fez alertas a respeito. Em agosto deste ano, o TSE também entendeu, a partir do julgamento de um caso ocorrido em Minas Gerais, que pedidos de votos em templos religiosos podem configurar abuso de poder econômico.
No último dia 10 de setembro, o juiz do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) alertou a “todas as igrejas, e entidades de qualquer segmento religioso, que a veiculação de propaganda eleitoral nos templos, nas imediações e também abordagem de pessoas que comparecem aos cultos revestem-se de caráter de absoluta ilegalidade sujeitando os infratores, todos os envolvidos, ainda que de forma indireta e omissiva e, também, os beneficiados, às consequências legalmente previstas, inclusive eventual interdição do local, apreensão de material e encaminhamento ao Ministério Público para as medidas cabíveis tanto na esfera eleitoral quanto criminal".
Em missa com Haddad, padre critica proposta de Bolsonaro
Ato contraria determinação do Tribunal Superior Eleitoral, que proíbe campanha política em templos religiosos