A presidente Dilma Rousseff acompanhou a sessão solene de Compromisso de Honra e Declaração de Fidelidade Constitucional, no Palácio Legislativo, no Uruguai, mas não ficou para a cerimônia de transmissão de mandato presidencial. Antes de embarcar para o Rio de Janeiro, onde inaugura neste domingo um túnel e participa de celebração dos 450 anos da cidade, Dilma teve uma reunião com Tabaré Vázquez no Palácio Legislativo. Durante vinte minutos, trataram da cooperação bilateral, o que atrasou a transmissão de mandato presidencial.
"Não falamos da situação na Venezuela, apenas da relação Brasil-Uruguai", disse Vázquez ao Broadcast. Em artigo publicado na edição deste domingo do jornal uruguaio "El País", Dilma afirmou ter "plena convicção" de que, com o presidente Tabaré Vázquez, "manteremos o mesmo nível de excelência das relações entre nossos países".
"O retorno de Tabaré - amigo do Brasil - ao comando da nação uruguaia nos dá segurança de poder avançar ainda mais na consolidação da integração entre Uruguai e Brasil, em prol do desenvolvimento e do bem-estar de nossas sociedades e do conjunto da região", disse a presidente.
Dilma e Mujica inauguraram no sábado (28) o parque eólico de Artilleros, o primeiro empreendimento da Eletrobras a gerar energia no exterior. Segundo a Eletrobras, a energia produzida pelo parque se destinará ao sistema elétrico do Uruguai, mas a capacidade instalada naquele país vai permitir que a geração de excedentes de energia sejam intercambiados com o sistema elétrico brasileiro.
"O parque representa uma iniciativa de cooperação pioneira e emblemática no setor de geração de energia renovável", comentou Dilma, no artigo. "Artilleros se soma à nova linha de transmissão entre Brasil e Uruguai, cuja entrada em operação fortalecerá a segurança energética de nossos países."
Mujica
Encerrando um ciclo de cinco anos em que ganhou popularidade a nível global, o ex-presidente do Uruguai José "Pepe" Mujica disse neste domingo esperar que o povo do país faça todo o possível para apoiar seu sucessor, o médico Tabaré Vázquez. Depois de entregar a faixa presidencial a Vázquez, Mujica deu uma volta na Praça Independência e, acompanhado de uma equipe de segurança, embarcou no seu fusca azul, no banco de passageiro, cercado por simpatizantes e ovacionado pelo público.
"Agradeço por todo o apoio que me deu o povo uruguaio", comentou Mujica, emocionado. "O povo uruguaio tem de fazer todo o possível para apoiar o governo que começa". Para o ex-presidente uruguaio, a sua trajetória comprova que aqueles que não se entregam nem baixam a guarda sempre conseguem "algum reconhecimento e compensação". "Fizemos algumas coisas e outras, não. Mas virão outros melhores e assim sucessivamente", disse.
A cerimônia de transmissão de mandato presidencial contou com as presenças dos presidentes de Cuba, Raúl Castro; do Chile, Michelle Bachelet; do Equador, Rafael Correa; e do Paraguai, Horacio Cartes. O vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, foi vaiado quando teve seu nome anunciado pelo locutor e subiu ao palco para cumprimentar Vázquez.
A transmissão de mandato foi marcada pelas ausências: o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, cancelou a ida ao Uruguai por motivos de saúde; o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tenta administrar a crise política e social instalada no país; e o presidente da Bolívia, Evo Morales, cumpriu agenda com Mujica às vésperas do fim do mandato, mas retornou logo depois. Já a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, fará neste domingo seu oitavo discurso anual no Congresso.
Em reunião com novo presidente do Uruguai, Dilma discute cooperação bilateral
Encontro com Tabaré Vázquez demorou 20 minutos e atrasou transmissão do cargo