Em sessão tumultuada, Assembleia do RS adia novamente votação da PEC do Hino

Em sessão tumultuada, Assembleia do RS adia novamente votação da PEC do Hino

Proposta será retomada na próxima sessão, última antes do recesso parlamentar

Felipe Nabinger

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Em sessão tumultuada, marcada por manifestações nas galerias, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul adiou ontem novamente a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do Hino, que busca restringir possíveis alterações em símbolos do Estado, como o hino.

Após discussões, a sessão foi encerrada em função da retirada de quórum, com o registro de apenas 23 deputados. O movimento pela retirada das presenças foi feito pela ala que apoia a PEC do Hino, que é de autoria do deputado Rodrigo Lorenzoni (PL). 

Assim, a votação abre, obrigatoriamente, a próxima sessão, na terça-feira. Essa será a última antes do recesso parlamentar. A votação não poderá ser adiada novamente pois os deputados deverão analisar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) na mesma sessão.

Emenda gera discussão 

A retomada da discussão do projeto ontem começou com polêmica. Isso porque a bancada do PDT, por decisão da executiva nacional, decidiu por retirar uma emenda, que havia sido acordada entre os líderes. Baseada em outro projeto do deputado Luiz Marenco (PDT), a ideia era exigir que uma alteração poderia ocorrer desde que passasse por um referendo junto à população.

Além da intervenção da executiva nacional do partido, houve também a costura de um acordo para que as bancadas do PT, PCdoB e PSol votassem favoráveis ao PL 2/2021, de Marenco, que condiciona mudanças nos símbolos à aprovação por meio da consulta popular. “Fiz o que achava certo”, afirmou o pedetista.

O movimento da bancada do PDT de retirar a emenda gerou reação de parlamentares favoráveis à PEC. Na tribuna, Lorenzoni (PL), autor da proposta, disse ser “do tempo que a palavra vale”. Logo após, emenda com a mesma redação foi protocolada pelo deputado Guilherme Pasin (PP). 

Contrário à PEC, o deputado Matheus Gomes (PSol) disse entender que a proposta inicial da PEC, que antes da emenda pregava a imutabilidade dos símbolos, não tinha legitimidade e defendeu o debate.

Afirmou ainda que o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) aceitava discutir a ideia. “A bancada negra não apresentou proposta de alteração do hino, o que estamos fazendo é um debate”, ressaltou o deputado, que integra a bancada negra na Assembleia. 

Manifestações nas galerias abriram sessão

 O ambiente no plenário da Assembleia ficou tenso antes mesmo da discussão do projeto. Isso porque, após o período do grande expediente, que homenageou a cidade de Viamão, parte da galeria entoou o hino rio-grandense, enquanto movimentos negros responderam aos gritos de “racista” quando do trecho “povo que não tem virtude, acaba por ser “escravo”. 

Neste momento chegou a ocorrer um princípio de confusão. Os lados a favor e contra à PEC do Hino levaram a discussão para âmbito nacional com gritos contra o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Presidente da Assembleia, Vilmar Zanchin (MDB) pediu calma aos presentes e chegou a suspender a sessão.

Após o tumulto inicial, manifestantes de entendimentos opostos foram orientados a ingressar nas laterais das galerias, com a parte central sendo esvaziada. Mesmo assim, seguiram fazendo manifestações durante as falas nas tribunas dos deputados. 

 


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