Para ele, todos os presidentes da República se empenharam para transformar o Brasil em um país melhor. “Cada um fez o que era possível no seu tempo. Nós todos, gostemos ou não, somos um somatório”, disse Itamar, na entrevista. Em seguida, ele lembrou que seu mandato (1992-1994) foi mais curto do que os dos demais presidentes da República. “Só tive dois anos e dois meses, eu tinha duas coisas importantes a fazer: a estabilização da economia e a consolidação do Estado de Direito.”
Para Itamar, as eleições do ano passado eram a oportunidade para a juventude se engajar no processo político nacional e defender suas bandeiras. “Se os moços e moças abrirem suas janelas, vamos poder renovar a política nacional. É preciso que haja uma participação muito grande dos jovens brasileiros.”
Segundo o ex-presidente, os eleitores precisam ficar atentos à atuação dos políticos, pois muitos dos que se candidatam não mantêm os vínculos necessários com a sociedade. “Alguns políticos estão completamente desconectados da sociedade. Temos de lembrar aos moços que estão nas universidades e nos sindicatos que essa gente tem de se manifestar.”
Idealizador do Plano Real, em 1994, no seu último ano de mandato, Itamar se irritou ao ser peguntado se o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em seu governo foi ministro da Fazenda, que tinha a responsabilidade na consolidação das medidas econômicas. Com seu habitual tom crítico, Itamar reagiu com ironia à pergunta.
“O técnico pode fazer o plano, mas quem assina é o presidente da República. E, quando o filho é feio, a culpa é do presidente, quando o filho é bonito, é do técnico. Se o plano tivesse dado errado, eu tinha que sair pelos fundos. Outros presidentes saíram pelos fundos, mas eu acabei saindo pela frente”, disse ele à TV Brasil.
Itamar não escondia as mágoas que tinha de Fernando Henrique, seu sucessor, e de Fernando Collor de Mello, a quem substituiu por causa do processo de impeachment e renúncia. “Daí minha grande crítica ao Fernando Henrique Cardoso: ele quebrou toda a estrutura jurídica do país e quebrou a nossa cultura (ao se lançar à eleição presidencial durante a implantação do Plano Real)”, disse.
Ao ser peguntado sobre Collor, Itamar respondeu que: “Não falo dessa pessoa (o Collor)”. A resposta sucinta dele não permitiu que os jornalistas presentes à entrevista perguntassem mais sobre a relação com o ex-presidente que o antecedeu. “Eu recebi a Presidência da República com mais de 50% de inflação, era praticamente 2% ao dia – é que hoje todo mundo esqueceu. Ninguém se lembra das máquinas mudando os preços.”