Política

Empresário diz que pagou R$ 1 milhão em propina a amigo de Temer

Testemunho de Marcelo Castanho foi ouvido em inquérito da PF

Depoimentos complicam Temer
Depoimentos complicam Temer Foto : Fabio Rodrigues Pozzebom / Agência Brasil / CP
O empresário Marcelo Castanho, dono de uma empresa de publicidade, contou à Polícia Federal (PF) que o Coronel Lima, amigo do presidente Michel Temer, recebeu propina em um contrato no Aeroporto de Brasília. O testemunho foi ouvido em Brasília, no dia 13 de julho, no âmbito do inquérito que apura se empresas do setor portuário pagaram propina em troca de um decreto de Temer.

Castanho contou à PF que, na negociação para explorar a área do aeroporto de Brasília para publicidade, em 2014, pagou R$ 1 milhão à Argeplan, uma empresa do coronel João Batista Lima Filho, ex-assessor e amigo de Temer há mais de 30 anos. Ele explicou que fez uma parceria com o empresário Rodrigo Castro Neves, porque ele era próximo de José Antunes Sobrinho, então presidente da Inframerica, responsável pelo aeroporto. Em novo depoimento à PF, o doleiro Lúcio Funaro afirmou que o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) repassava propina a Temer desde “2003 ou 2004”. O depoimento também foi tomado no inquérito sobre o setor portuário.

Funaro adicionou novos detalhes às informações prestadas em sua delação premiada, como uma cifra inédita aos investigadores. O delator identificou que Altair Alves Pinto, apontado como transportador de dinheiro de Cunha, retirou ao menos R$ 90 milhões em espécie do seu escritório em São Paulo. O dinheiro era entregue no escritório de Temer ou no do advogado José Yunes, amigo do presidente. A assessoria de Temer nega.