Com a proximidade do 5º dia útil, federações empresariais de diferentes segmentos reuniram deputados federais e estaduais, nesta segunda-feira, para pressionar o pleito junto do governo federal de ações que possibilitem o pagamento da folha do mês de maio. O movimento tem o objetivo de pressionar politicamente a União e visa "salvar as empresas e os empregos". As medidas propostas pelas federações incluem a repetição de programas já existentes, como os aplicados na pandemia, incluindo um layoff das empresas (que prevê a permissão para paralisação das atividades do empregados por período determinado) e a desoneração fiscal às empresas diretamente afetadas pelo meio da garantia de emprego.
"Precisamos de soluções urgentes que vem sendo tratadas, mas tínhamos a necessidade de criar uma convergência para que pudéssemos atuar em bloco pensando na reunião de líderes de amanhã (terça), no Congresso Nacional, para que conseguíssemos algumas medidas em caráter emergencial que estaquem essa hemorragia", afirmou o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, que encabeçou a iniciativa, que ocorreu no no plenarinho da Assembleia Legislativa.
Em consonância com as entidades, parte dos deputados federais também elencou a questão como "não urgente; mas emergente", como classificou Alceu Moreira (MDB), vice-líder da bancada. "Quando tu pagas uma fábrica de calçados e pagas os mil funcionários (dela), tu tocas o açougue, o supermercado, o armazém, a loja, a farmácia, tudo a mesmo tempo. E essa pessoa não perde o vínculo empregatício", explicitou. "Não estamos tratando de área afetada, estamos tratando de CNPJ e CPF".
Moreira disse acreditar na “sensibilidade” do governo federal junto as questões do RS, ao reforçar que "não existe a possibilidade disso (as medidas não serem atendidas) acontecer". O deputado ressaltou, entretanto, que tais medidas não podem partir por meio de projetos de lei, porque, por mais 'bem intencionados que sejam', o processo legal é ‘moroso’. Logo, a necessidade de atuação direta e instantânea da União. "A bancada está absolutamente unida", disse.
Essa união da bancada gaúcha ante a questão trabalhista foi reforçada também por Pompeo de Mattos (PDT) e Any Ortiz (Cidadania). A deputada relembrou que as medidas pleiteadas são aquelas aplicadas na pandemia, "já está pronto, é só copiar". Alegando também a necessidade de recursos a fundo perdido àquelas empresas de áreas alagadas. Nessa mesma linha, Marcel Van Hatten (Novo) prometeu articular um encontro do governador Eduardo Leite (PSDB), que deverá ir a Brasília ainda essa semana, junto com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. A ideia é pleitear o afrouxamento nas questões trabalhistas 'para manutenção dos empregos'. Sobre isso, Marcon (PT) que preside a bancada gaúcha, garantiu que "se o governador (Eduardo Leite) pedir" terá uma audiência com Marinho, "amanhã (terça-feira) ou depois de amanhã (quarta-feira)".
Outro pleito elencado urgente junto ao governo federal por parte das federações, e endossado por parlamentares, é a retomada do aeroporto. O retorno, previsto para dezembro, assustou empresários, mas o líder do governo na Assembleia Legislativa, Frederico Antunes (PP), que esteve em vistoria no Salgado Filho, nesta manhã, expôs um cenário pouco positivo para uma antecipação. Antunes alertou que parte das despesas, ainda que iniciais, já alcançam a casa dos milhões e os reparos para uma retomada são profundos. Entretanto, disse que há um 'ambiente de diálogo e realinhamento' entre o governo federal e a concessionária Fraport para que, até dezembro, esteja liberado. Em resposta, o presidente da Federasul, Rodrigo Sousa Costa, alegou que dezembro "ainda é assustador para nós". O deputado rebateu: "se é pra assustador quem não viu, imagina pra quem foi lá agora, como eu, e realmente nota que o furo é mais embaixo".
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Diante de algumas críticas quanto a gestão do governo federal na crise, Marcon (PT), que preside a bancada gaúcha, fez questão de elencar às medidas já anunciadas, como os valores aportados no Pronampe e Pronaf, com taxa de juros zero. Apesar disso, elencou ser favorável a um perdão da dívida do Estado com a União (tema trazido pelo presidente da OAB-RS, Leonardo Lamacchia) e a prorrogação, em 15 anos, das dívidas dos produtores – também a juro zero. Essas medidas também foram relembradas por Reginete Bispo (PT) que destacou dos R$ 15 bilhões em crédito anunciado às empresas.