Política

Encontro na Assembleia gaúcha debate legado deixado por Getúlio Vargas

Passagem dos 70 anos da morte do ex-presidente foi tema de debate

Mediação foi feita pelo professor Cassio Moreira
Mediação foi feita pelo professor Cassio Moreira Foto : Fabiano do Amaral

O papel do governo de Getúlio Vargas na construção do Estado nacional foi tema central de um ciclo de palestras realizado na Assembleia Legislativa do RS em ocasião dos 70 anos da morte do gaúcho ex-presidente da República. O encontro, promovido na tarde desta sexta-feira no plenarinho do Legislativo, destacou a carta testamento deixada pelo político gaúcho e quais fundamentos ainda hoje podem ser seguidos como modelo.

A mediação foi feita pelo professor Cassio Moreira. “No dia 24 de agosto de 1954, o presidente cometeu suicídio e muitos historiadores argumentam que isto acabou postergando o golpe (ocorrido em 1964) por 10 anos”, disse Moreira.

Militar, advogado e político nascido em São Borja, Getúlio liderou a Revolução de 1930, encerrando o período histórico conhecido como a República Velha e depondo seu 13º presidente, Washington Luís e impedindo a posse do eleito em março de 1930, Júlio Prestes. Seu primeiro governo durou 15 anos e teve três fases: de 1930 a 1934, como chefe do "Governo Provisório"; de 1934 até 1937 como Presidente da República do Governo Constitucional, tendo sido eleito pela Assembleia Nacional Constituinte de 1934; e, de 1937 a 1945, como ditador, durante o Estado Novo implantado após um golpe de estado.

Durante o Estado Novo, Vargas governou por decretos-leis e, na área trabalhista, criou o salário mínimo e a Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). Nascia aqui um projeto político que ficou conhecido como trabalhismo e que marcou os anos finais de sua carreira política.

No segundo período, (1950-54) em que foi eleito por voto direto, Getúlio governou o Brasil como presidente da República, por três anos e meio: de 31 de janeiro de 1951 até 24 de agosto de 1954, quando se suicidou, aos 72 anos, depois de uma série de combates e agressões com a imprensa daquela época, principalmente de Carlos Lacerda, da Tribuna da Imprensa, do Rio. “A importância do Vargas é muito grande para o que tange a consolidação do Estado Nacional Brasileiro”, reafirmou o professor Moreira.

Getúlio era chamado por seus simpatizantes de "pai dos pobres" pela legislação trabalhista e políticas sociais adotadas em seus governos. A sua doutrina e seu estilo político foram denominados de "getulismo" ou "varguismo", cuja base era o desenvolvimento nacional a partir de uma política de colaboração de classes. Com sua forte centralização política, criou importantes estatais: Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Companhia Vale do Rio Doce, Hidrelétrica do Vale do São Francisco, Petrobras e Eletrobras, além de entidades como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).