Política

Entenda o que foi aprovado pela Câmara dos Deputados na PEC da Blindagem

Proposta agora segue para análise do Senado

PEC da Blindagem foi aprovada com placares expressivos nos dois turnos
PEC da Blindagem foi aprovada com placares expressivos nos dois turnos Foto : Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem. A proposta, que agora segue para análise do Senado, exige que o Congresso Nacional dê aval para a prisão e a abertura de ações penais contra deputados e senadores.

Embora o texto tenha sido aprovado com placares expressivos nos dois turnos, houve uma mudança significativa: a previsão de votação secreta para autorizar a abertura de ações penais foi derrubada. Segundo o relator da PEC, deputado Claudio Cajado (PP-BA), a medida é um "escudo para o exercício pleno da atividade" parlamentar e não uma "licença para abusos".

Principais mudanças aprovadas na PEC

  • Necessidade de aval para processo e prisão: Deputados e senadores não poderão ser presos, a menos que seja em flagrante de crime inafiançável, nem processados criminalmente sem a autorização prévia de sua respectiva Casa (Câmara ou Senado).
  • Prazo para deliberação: O Congresso terá até 90 dias, a partir do recebimento da ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), para deliberar sobre o aval.
  • Prisão em flagrante: Em caso de prisão em flagrante de crime inafiançável, os autos serão enviados ao parlamento em 24 horas para deliberação.
  • Suspensão da prescrição: A PEC prevê que a negativa do aval suspende a prescrição do crime enquanto durar o mandato, o que, para o relator, é um "compromisso em evitar a blindagem de quem quer que seja".
  • Foro privilegiado para presidentes de partidos: A proposta estende o foro privilegiado no STF para presidentes nacionais de partidos políticos com representação no Congresso.
  • Restrição de medidas cautelares: Deputados e senadores só poderão ser alvos de medidas cautelares de natureza pessoal ou real (como bloqueio de bens) provenientes do STF.

Justificativa e críticas

O relator Claudio Cajado defendeu que a PEC busca "resguardar garantias institucionais que pertencem à sociedade" e preservar a "separação dos Poderes". No entanto, a aprovação do texto foi cercada de polêmica, com questionamentos sobre o registro de presença a distância de deputados e críticas de opositores que chamaram a medida de "manobra" para blindar parlamentares.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu a proposta como uma forma de retomar a "autonomia dos mandatos parlamentares" diante de "atropelos e abusos".

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