Ele fala em tom claro, modulado, combinação da educação recebida no seminário franciscano e de sua proximidade com os beneditinos nos anos de cátedra (ele é professor de ética, direito e ciência política). É filósofo do personalismo, conceito árduo para o público em geral, mas que, como traduz, parte do princípio de que o ser humano é uma pessoa. Em suma, se opõe tanto ao capitalismo como ao "coletivismo". "Rejeita que o capital é mais importante do que as pessoas e também a ideia de que o ser humano não tem personalidade", resume.
Wambert explica com paciência o embasamento de suas propostas instalado em seu lugar favorito no sobrado de três andares em um condomínio da Vila Assunção, onde ele reside com a esposa e os filhos: sua biblioteca, no sótão. Tal qual um quebra-cabeças, o cômodo é repleto de objetos que dão significado ao discurso do professor.
Com estantes em madeira e idealizada no formato de um templo, a biblioteca tem mais de 4 mil volumes, divididos por temas: livros de orações, de direito, de literatura, filosofia em geral, filosofia personalista, história, biografias, livros em uso. Isso sem falar nas coleções: de pequenos cavaleiros, de rosários, de obras raras. Ali estão os três volumes da "Filocalia", clássico da literatura católica ortodoxa, que o candidato abre com indisfarçada reverência.
"Estávamos em Buenos Aires, eu e um amigo. Ele conseguiu em um sebo e só depois me contou, lembrando que eram os últimos. Passei dois dias rodando a cidade, porque era uma obra que eu desejava há anos, e encontrei. Filocalia, em grego, significa amor à beleza."
Na parede oposta, enquadrados, os dois títulos de cavaleiro fazem companhia a foto de um Wambert jovem, ajoelhado ante o Santo Sepulcro, em Jerusalém.