O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes foram identificados em grampo da Polícia Federal (PF) conversando com Silval Barbosa, em 20 de maio de 2014, quando foi cumprido mandado de busca e apreensão na residência do então governador de Mato Grosso.
Na operação, Barbosa foi preso por posse de arma com registro vencido. As conversas ocorreram após Silval ter pago R$ 100 mil de fiança e ser libertado. A informação sobre os grampos foi publicada pela revista Época desta semana. Mendes ligou para Barbosa às 17h15m. No diálogo, o ministro reage com as expressões “que loucura” e “que absurdo” ao ouvir o relato de Barbosa sobre sua detenção. Mendes diz ainda que vai procurar o colega de STF Dias Toffoli, que autorizou a busca e apreensão e que, “se for o caso”, voltaria a falar com o governador.
Meia hora depois, Barbosa recebe o telefonema de Cardozo, que reage com as expressões “barbaridade” e “que loucura”, ao ouvir o relato. Cardozo indaga se a PF, que lhe é subordinada, “se comportou direitinho”. Ele diz que sim e critica o Ministério Público Federal (MPF), que pediu a prisão por porte de arma com registro vencido.
Barbosa é investigado por crime contra o sistema financeiro nacional e corrupção passiva, acusado de ter recebido R$ 4 milhões para caixa 2 de campanha. O inquérito corre no STF porque o senador Blairo Maggi (PR-MT) também é investigado.
Quatro meses após a ligação, Mendes participou de julgamento de um pedido do MPF para que um ex-secretário do governo do Mato Grosso, apontado como operador de Blairo e Barbosa, voltasse à prisão. Mendes votou a favor da liberdade do acusado. À Época, Mendes afirmou ter ligado devido às relações institucionais com o então governador. Cardozo disse ter ligado para checar se houve abuso na operação policial.
Escutas flagram diálogo entre ministros e suspeito
Ex-governador do Mato Grosso foi preso em operação da PF em 2014