Política

“Estamos frustrados”, diz presidente da Força Sindical-RS sobre aprovação do mínimo

Cláudio Janta afirmou que trabalhadores foram surpreendidos com voto de sindicalistas contra aumento de salário

Os trabalhadores viram ontem, na aprovação do reajuste do salário mínimo para R$ 545 na Câmara Federal, o que jamais imaginavam: “Sindicalistas históricos votaram contra o aumento. Estamos frustrados”. A afirmação é do presidente da Força Sindical-RS, Cláudio Janta, em entrevista ao site do Correio do Povo, nesta quinta-feira. Ele citou nomes como os dos deputados Aldo Rebelo (PCdoB), João Paulo Cunha (PT), Vicentinho (PT) e Ricardo Berzoini (PT). “Pessoas que fundaram a CUT, que moldaram o movimento sindical foram ao plenário ontem para dizer que o trabalhador não precisa de R$ 0,50 por dia.”

Janta se referia à rejeição das duas emendas que propunham salários de R$ 560 e de R$ 600. “Nós defendemos R$ 560 porque entendemos que o governo não pode querer fazer ajustes em cima dos trabalhadores.”

O sindicalista disse que a maioria dos deputados “se rendeu ao poder”. Para ele, a Força Sindical, a partir de agora, precisará pressionar mais a base para aprovar outros itens da pauta da entidade como o fator previdenciário, a correção da tabela do imposto de renda, o reajuste dos aposentados e a redução da carga de trabalho. “Nós fizemos campanha e votamos num projeto de recuperação da economia, que tinha o objetivo de acabar com a pobreza e dividir a riqueza. Aconteceu o contrário e isso nos deixa apreensivos. Acendeu uma luz vermelha.”

A ideia, de acordo com Janta, é negociar o aumento com o Senado. “Vamos falar com os senadores. Não vamos nos entregar. Vamos continuar lutando.”

Votação

O projeto de lei do Executivo, que estabelece uma política de valorização do salário até 2015, passou pela avaliação de duas emendas, uma do PSDB com o mínimo de R$ 600 e outra do DEM, com mínimo de R$ 560. A emenda do PSDB foi reprovada por 376 dos parlamentares, com 106 votos a favor e sete abstenções. Já a do DEM foi recusada por 361 deputados e aprovada por 131, já depois das 23h. Ao todo foram apresentadas 22 emendas para alterar o texto da proposta, durante a fase de discussão.

Após 10 horas de sessão, o Plenário aprovou em votação simbólica, quando não há registro individual de votos, o aumento para R$ 545, com vigência a partir do mês seguinte ao de publicação da futura lei.


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