Política

“Eu não traí ninguém”, diz Temer sobre afastamento de Dilma

Presidente reconheceu “instabilidade”, mas afirmou que não se comporta como interino

Presidente reconheceu “instabilidade”, mas afirmou que não se comporta como interino
Presidente reconheceu “instabilidade”, mas afirmou que não se comporta como interino Foto : José Cruz / ABr / CP
O presidente Michel Temer reconheceu que a interinidade cria "instabilidade", mas ressalvou que não age como se fosse deixar o governo em breve. A declaração foi dada durante entrevista para a Globonews na noite desta terça-feira.l Temer ainda voltou a dizer que não traiu a presidente afastada Dilma Rousseff.

"Governar interinamente é mais complicado por gerar uma certa instabilidade. Não me comporto como interino, mas como definitivo. Não se governa em interesse de A ou B", declarou. "Eu não traí ninguém. O que houve foi um processo de impedimento", defendeu-se.

Ao comentar o governo Dilma, Temer disse que "houve certa falta de diálogo com o Congresso". O presidente avaliou que os problemas na economia foram decisivos para o desgaste da petista. "A questão econômica prejudicou o governo e a governabilidade", avaliou.

Temer não demonstrou arrependimento por ter feito um ministério sem mulheres e afrodescendentes. "Exercitaria novamente mesma fórmula, eu tive setes dias para organizar o governo. Só quando me dei conta que do que significava a admissibilidade (do processo de impeachment) no Senado é que comecei a conversar sobre o governo. Antes, tinha pruridos. O desemprego é o problema principal do Brasil. Montamos uma equipe econômica e fizemos uma composição política para ter apoio no Congresso".

Temer disse que manterá a secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes. A secretária é investigada na Justiça Federal por suspeita de ter participado de desvio de R$ 4 milhões do Ministério do Turismo para capacitação de profissionais do Amapá, quando era deputada pelo PMDB do Estado. "Vou mantê-la até que eventualmente haja condenação", disse.