Política

Ex-delegado-geral executado na Praia Grande foi alvo de atentado do PCC há 15 anos

Ruy Ferraz Fontes era conhecido por sua atuação implacável contra o Primeiro Comando da Capital (PCC)

O assassinato do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, na Praia Grande, no litoral sul paulista, nesta segunda-feira (15), expôs um histórico de ameaças e emboscadas que ele sofria do crime organizado. Conhecido por sua atuação implacável contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), Fontes já havia escapado de pelo menos cinco outras tentativas de assassinato ou roubo, evidenciando a constante perseguição da facção.

Em 2010, um plano de bandidos ligados ao PCC para matá-lo foi descoberto. Dois anos depois, em 2012, ele trocou tiros com criminosos na Via Anchieta, em um confronto que deixou uma investigadora ferida. Em 2020 e 2022, ele foi alvo de assaltantes, e em 2023, sofreu um assalto com a esposa, que o deixou preocupado com a segurança de sua família. "Combati esses caras durante tantos anos e agora os bandidos sabem onde moro", declarou Fontes ao Estadão na época.

Ações contra o PCC

A carreira de Ruy Ferraz Fontes foi marcada pelo combate ao PCC. Ele chefiou a Polícia Civil de São Paulo entre 2019 e 2022 e, em 2006, foi o responsável por indiciar toda a cúpula da facção, incluindo o líder Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Sua atuação levou os criminosos a serem isolados em presídios de segurança máxima. O secretário-adjunto da Segurança Pública, Oswaldo Nico Gonçalves, confirmou que Fontes reagiu à emboscada e pode ter baleado um dos agressores.

A polícia investiga a possibilidade de que o crime tenha sido executado pela Sintonia Restrita, o grupo de pistoleiros do PCC. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, lamentou o ocorrido e prometeu "dedicar toda energia à investigação". Outra hipótese sob apuração é a de que o assassinato esteja ligado a uma licitação na prefeitura da Praia Grande que teria prejudicado uma entidade ligada a criminosos.

A vingança da facção

Caso a participação do PCC seja confirmada, a morte de Fontes seria a terceira "grande vingança" da facção contra autoridades. As vítimas anteriores foram o juiz-corregedor Antônio Machado Dias, assassinado em 2003, e o diretor de presídios José Ismael Pedrosa. A polícia já encontrou um carro suspeito de ter sido usado na emboscada, que foi incendiado pelos criminosos.