Em depoimento à Polícia Federal, no dia 14 de janeiro, em um dos inquéritos da operação Lava Jato, o engenheiro eletricista da Petrobrás Luiz Antônio Kalil Horta relatou que era pressionado por subordinados do ex-gerente de Serviços da estatal Pedro Barusco a negociar licitações muito acima do valor estipulado e que chegou a ser deslocado da comissão de licitações da Refinaria de Paulínia (Replan), no interior paulista, após cancelar certames com preço maior que o previsto.
Segundo o depoimento do engenheiro, em uma licitação conduzida por ele para a ampliação da estação de tratamento de água (ETA) da Replan, os preços ficaram muito acima do estipulado pelo Serviço de Engenharia (Segen) da Petrobrás.
Neste caso, ele cancelou o certame e, na segunda licitação, uma das empresas ofereceu preço próximo ao levantado pela estatal, mas um funcionário do Segen, que ele afirmou não se recordar do nome, aumentou a estimativa do contrato. "Essa medida não teve nenhuma justificativa, uma vez que a empresa que ofereceu a proposta era idônea e tinha condições de executar a obra", relatou o engenheiro à Polícia Federal.
Kalil Horta disse que ficou "indignado" e chegou a telefonar para o funcionário, que alegou ter sido pressionado para fazer isso. O engenheiro, contudo, não chegou a concluir essa licitação e foi transferido para a refinaria Presidente Bernardes, em Cubatão (SP), "perdendo inclusive uma gratificação de chefia de cerca de 15% a 20% do seu salário", relatou.
Incentivo
Atuando desde 1983 na estatal, Kalil Horta afirmou que foi "incentivado" a não cancelar o certame e a negociar com as empresas por pressão de Fernando Biato, subordinado direto de Barusco, e de Jairo Luiz Bonet, seu chefe direto na época, além do gerente do empreendimento Faustino Vertamati e do gerente-geral da Replan Raimundo Cerqueira Neto.O engenheiro disse ainda que Biato se referia a Barusco como "o pessoal de cima" que "estaria mandando que negociasse com as empreiteiras".
Ex-engenheiro da Petrobrás relata pressão de "pessoal" de Barusco
Kalil Horta chegou a ser afastado depois de cancelar certames com preço maior que o previsto