Política

Ex-funcionário de empresa de Eike Batista é preso em Porto Alegre

PF cumpriu mandado de busca e apreensão no bairro Cristal

Um ex-funcionário de uma das empresas de Eike Batista foi preso na manhã desta quinta-feira em Porto Alegre durante 34ª fase da operção Lava Jato. A ofensiva, chamada de Arquivo X, cumpriu, além do mandado de prisão, um mandado de busca e apreensão em uma casa no bairro Cristal, na zona Sul da Capital.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Federal (PF), o homem, que não teve a identidade revelada, foi encaminhado à sede da PF em Porto Alegre e mais tarde seguirá de avião para Curitiba, onde está localizada a Superintendência do órgão responsável pelas investigações da Lava Jato. 

Mantega no foco 

O principal alvo da ofensiva é o ex-ministro Guido Mantega. De acordo com informações do Ministério Público Federal (MPF), ele teria pedido a Eike Batista, ex-presidente do Conselho de Administração da OSX, que pagasse R$ 5 milhões para o Partido dos Trabalhadores (PT). Eike declarou ter recebido o pedido em novembro de 2012.

Para operacionalizar o repasse, Eike Batista firmou contrato falso com empresa ligada a publicitários já denunciados na Operação Lava Jato por disponibilizarem seus serviços para a lavagem de dinheiro oriundo de crimes. Após uma primeira tentativa frustrada de repasse em dezembro de 2012, em abril de 2013 constatou-se a transferência de 2,350 milhões de dólares, no exterior, entre contas de Eike Batista e dos publicitários.

As consorciadas, que não tinham tradição no mercado específico de construção e integração de plataformas, viabilizaram a contratação mediante o repasse de valores a pessoas ligadas a agentes públicos e políticos. As investigações revelaram que há indícios de que cerca de R$ 7 milhões foram transferidos, entre fevereiro e dezembro de 2013, pela Mendes Júnior para um operador financeiro já condenado no âmbito da Operação Lava Jato. Ele teria ligações com um partido político e com a Diretoria Internacional da Petrobras. Os repasses foram viabilizados por empresa de fachada que, de acordo com a Procuradoria do Paraná, não tinha uma estrutura minimamente compatível com os valores recebidos.

As investigações também identificaram repasse de mais de R$ 6 milhões pelo Consórcio Integra Ofsshore com base em contrato ideologicamente falso firmado em 2013 com a Tecna/Isolux.

As provas testemunhal e documental, que instruíram a representação do Ministério Público Federal (MPF), revelam que o valor foi transferido no interesse do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu e de pessoas a ele relacionadas. Constatou-se ainda que, no período dos fatos, empresas do grupo Tecna/Isolux repassaram cerca de R$ 10 milhões à Credencial Construtora, já utilizada por Dirceu para o recebimento de vantagens indevidas.

Entre março de 2013 e junho de 2014 foram identificados repasses de mais de R$ 6 milhões da Mendes Júnior a empresas ligadas a um executivo do grupo Tecna/Isolux. O ex-ministro Guido Mantega será levado ainda hoje para a sede da Polícia Federal em Curitiba.