De acordo com Wagner, a melhor saída para se evitar o desvio de recursos públicos é a população e a imprensa controlarem o destino das verbas. "O que os governos precisam garantir é transparência dos dados dos convênios e incentivar o controle social, para que a sociedade possa conhecer tudo que está acontecendo e a própria sociedade fazer o controle e reclamar", afirma. "Por exemplo, se localmente alguém sabe que tem um convênio de R$ 1 milhão para construir uma escola, se isso é tornado público, e a construção não acontece ou se a construção não justifica o preço vinculado, não tem ninguém melhor para reclamar do que o próprio interessado."
Ao falar sobre as frequentes denúncias envolvendo ministros do governo federal, porém, o governador criticou o que chama de "linchamento público" dos gestores. "As investigações da imprensa ajudam a desvendar problemas de corrupção, mas a gente vive num sistema democrático, então a todos é dado o direito à defesa", avalia. "Se há uma denúncia, ela tem de ser investigada. Se a investigação ocorre e comprova, acho que tem de haver o afastamento, a prisão. O que sou contra é promover o linchamento sem a investigação", falou o governador baiano.
Sobre as denúncias que agora envolvem o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), Wagner diz que a possibilidade de afastamento do titular da pasta causa "um clima de intranquilidade que não é bom para o governo", mas diz confiar na capacidade de análise da presidente Dilma Rousseff. "Ela pode tomar a decisão de que o afastamento é bom para a investigação ou para a tranquilidade do governo, portanto o afastamento não quer dizer uma condenação", afirmou. "Neste momento, é uma decisão política e administrativa", acrescentou.