Oito ex-presidentes da Fundação Piratini, entidade responsável pela TVE e FM Cultura, emitiram uma nota contestando a proposta do governador José Ivo Sartori (PMDB) de extinguir a fundação. O projeto de extinção deve ser votado na Assembleia durante essa semana, junto com outras medidas do pacote proposto pelo governador.
No texto, os ex-presidentes da TVE e da FM Cultura dizem ter opiniões divergentes sobre o governo Sartori e sobre o pacote de medidas, mas apontam contrariedade com a extinção. Os oito ex-dirigentes geriram a fundação por 18 anos, sob diferentes governos do PDT, PMDB, PSDB e PT.
Na nota de apoio, destacam que a fundação sempre conviveu com “visões administrativas e financeiras” diversas, o que não impediu tais governos de garantir os “investimentos necessários às duas emissoras”. Dizem ainda que a Fundação sempre “viveu sob a escassez”, o que “não impediu a TVE e a FM Cultura de se tornarem uma referência estadual no cenário cultural e jornalístico”.
Os signatários, ao final do texto, dizem estar “dispostos a colaborar para o encontro de solução que venha assegurar a existência da Fundação”. Nesta segunda-feira, os servidores da Fundação iniciam uma paralisação de cinco dias em protesto contra a medida.
Confira abaixo a íntegra do texto
Os signatários deste texto são ex-presidentes da Fundação Piratini, mantenedora da TVE e da FM Cultura. Têm opiniões diferentes e, em alguns casos, profundamente divergentes entre si sobre a proposta de reforma do Estado apresentada pelo atual governo à Assembleia Legislativa. São unânimes, porém na defesa da TVE e da FM Cultura. São contrários, portanto, à extinção da Fundação Piratini. Eles a presidiram em situações conjunturais diversas. Somadas, suas gestões abarcam cerca de 18 anos,no período compreendido entre 1973 e 2014. A administraram sob governos filiados a ideologias muitas vezes opostas. Conviveram com visões administrativas e financeiras correspondentes a tais governos. Isso não lhes tolheu a iniciativa de tentar garantir os investimentos necessários às duas emissoras. Eles ocorreram em graus diferentes ou mesmo deixaram de ocorrer, em determinados períodos. De modo geral, a Fundação Piratini sempre viveu sob a escassez. Isso não impediu a TVE e a FM Cultura de se tornarem uma referência estadual no cenário cultural e jornalístico. Tal fato é praticamente incontestável.
Prova disso são as diárias, múltiplas e extraordinárias manifestações contrárias ao desaparecimento da Fundação Piratini. Elas estão em todos os lugares: nas redes sociais, nos jornais, em rádios e tevês, em sites e blogs, em colunas, artigos, depoimentos, entrevistas. Nos abaixo-assinados, nos debates privados e públicos. Em uma só voz, gaúchos e gaúchas se manifestam em favor da TVE e da FM Cultura. Tamanho prestígio não decorre da ação deste ou daquele governo, ou de qualquer única gestão. Ele se ampara na percepção da sociedade sobre as finalidades publicas das emissoras,desvinculadas de interesses comerciais. Conscientemente, o povo gaúcho ressalta as realizações históricas de ambas destacando suas tarefas, que raramente podem ser assumidas pelas emissoras privadas, pelas suas vocações editoriais e econômicas. O Rio Grande do Sul está dizendo aos deputados que deseja manter a TVE e a FM Cultura , reconhecendo as como vitais.Confiamos que os parlamentares saberão ouvir a voz do povo.
Os signatários estão dispostos a colaborar para o encontro de solução que venha assegurar a existência da Fundação.
Alfredo Carlos Fredrizzi
Leonid Straliev
João Batista de Melo Filho
Pedro Luiz da Silveira Osório
Luiz Fernando Schreiner Moraes
Liana Maria Milanez Pereira
Flávio Antônio Vieira Dutra
José Roberto Barbosa Garcez
Ex-presidentes da Fundação Piratini emitem nota contra extinção
Signatários do texto geriram TVE e FM Cultura em governos do PMDB, PDT, PSDB e PT