Política

Ex-tesoureiro do PT admite uso de caixa 2

Paulo Ferreira revelou que não tinha como negar informalidades nos processos eleitorais

Ferreira foi preso na Operação Abismo no dia 24 de junho
Ferreira foi preso na Operação Abismo no dia 24 de junho Foto : Fabiano do Amaral / CP Memória
O ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira confessou na quarta-feira ao juiz federal Sérgio Moro que o PT - assim como os demais partidos políticos - trabalha com recursos não contabilizados. Réu da Operação Lava Jato e preso desde 24 de junho, Ferreira foi interrogado em Curitiba. Ele disse que "negar informalidades nos processos eleitorais brasileiros de todos os partidos é negar o óbvio". As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo" na edição desta quinta-feira.

Ferreira foi preso na Operação Abismo, 31.ª fase da Lava Jato. Além do ex-tesoureiro, 13 investigados são réus. O petista é acusado de ter recebido propinas nas obras do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes), no Rio.

Durante o interrogatório, o juiz perguntou ao ex-tesoureiro: "O Partido dos Trabalhadores comumente tem feito declarações públicas de que não trabalha com recursos não contabilizados. Salvo engano, na minha compreensão, o senhor está afirmando algo diferente, que havia esses pagamentos, inclusive aqui na sua própria campanha. O senhor saberia explicar essa contradição?"

Paulo Ferreira respondeu: "É um problema da cultura política nacional, doutor Moro. Eu não estou aqui para mentir para ninguém. Estou aqui para ajustar alguma dívida que eu tenha, minha disposição aqui é essa".

Em seguida, declarou: "Negar informalidades nos processos eleitorais brasileiros de todos os partidos é, na minha opinião, negar o óbvio". Moro, então, perguntou: "Inclusive no Partido dos Trabalhadores, na sua campanha?" "Exatamente", admitiu Ferreira.