Política

Famurs lançará campanha de enfrentamento à violência contra a mulher

Anúncio ocorrerá durante Assembleia de Verão, no litoral Norte, em março

Rio Grande do Sul contabiliza 16 casos de feminicídios em 2026
Rio Grande do Sul contabiliza 16 casos de feminicídios em 2026 Foto : Mauro Schaefer

A Famurs irá lançar, oficialmente, durante a Assembleia de Verão, em março, a campanha “VIDA: todos por Ela”. A iniciativa visa mobilizar prefeitos gaúchos e reforçar a importância da denúncia e da atuação dos serviços municipais com o objetivo de fortalecer a rede local de prevenção e enfrentamento à violência contra a mulher.

A programação contará com um painel sobre o tema com a secretária estadual da Mulher, Fábia Richter. O encontro, que ocorrerá entre os dias 4 e 6, em Torres, também será marcado pela 1ª Famurs Move RS, com corridas, de três e cinco quilômetros, de conscientização e de combate à violência de gênero.

Entenda

O Rio Grande do Sul atinge a marca de 16 feminicídios em 2026. A mais recente vítima é Cássia Nascimento, de 26 anos, assassinada em Cacequi, na Região Central do Estado, pelo ex-companheiro.

O crime ocorreu poucas horas após a jovem buscar a polícia para registrar um boletim de ocorrência e obter uma medida protetiva. A Prefeitura de Cacequi divulgou uma nota lamentando o trágico caso, reafirmando o compromisso com a defesa da vida e da dignidade das mulheres.

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Cenário de violência persistente no Estado

O assassinato de Cássia reflete um cenário preocupante de violência contra a mulher. Nos últimos 13 anos, o Estado registrou 1.234 feminicídios, uma média de 91 casos por ano. Essa estatística alarmante e outras informações compõem o relatório preliminar de uma comissão externa da Câmara dos Deputados.

O estudo, impulsionado por um feriado de Páscoa em 2025 que resultou em 11 mortes em 10 dias, revela que 42% das vítimas têm entre 30 e 45 anos, 80,6% são brancas e 84% foram mortas dentro de suas residências. A dependência econômica é apontada como um dos principais fatores que impedem mulheres de romperem o ciclo de violência.

Lacunas nas políticas públicas e 95 propostas de ação

O relatório aponta falhas nas políticas públicas estaduais, com lacunas de proteção em regiões como Litoral e Fronteira Oeste. A deputada federal Fernanda Melchionna (PSol) exemplificou problemas como a falta de tornozeleiras em Santa Maria e a ausência de abrigos regionais no Vale do Rio Pardo.

Em resposta a esse quadro, a deputada federal Maria do Rosário (PT) liderou a proposição de 95 medidas. As ações incluem a implementação de delegacias especializadas em municípios de até 50 mil habitantes e o aumento do percentual destinado ao combate à violência contra a mulher no Fundo Nacional de Segurança Pública.

A secretária estadual da Mulher, Fábia Richter, embora reconheça a gravidade, enfatiza a necessidade de políticas transversais e focadas na identificação precoce de risco, envolvendo diversas secretarias.