Não será fácil a empreitada da Prefeitura de Porto Alegre de convencer o número necessário de vereadores para aprovar os projetos que integram o pacote encaminhado à Câmara Municipal. Dependendo da proposta, o apoio para viabilizar êxito no plenário é de 19 votos. Nos casos de alterações na Lei Orgânica do Município, o escore se amplia para 24 votos. Por ora, não chegou ao Legislativo reflexo do aval de entidades e de setores empresariais, condicionando o avanço das matérias que representam ampliação da receita, caso da revisão na planta do IPTU, às de redução de despesas, relativas às mudanças que atingem os servidores.
Não bastasse a base aliada reduzida na Câmara, de 12 vereadores, o número constantemente é ainda menor em função de dissidências. Pesa, também, contra os planos do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB), o fato de as propostas, muitas marcadas por polêmicas, estarem sendo discutidas em ano eleitoral. Dos 36 vereadores da Capital, 22 irão disputar cadeiras na Câmara dos Deputados ou na Assembleia. Além do temor de desgastes que virão atrelados aos posicionamentos em plenário, bater no governo Marchezan, que apresenta altos índices de reprovação, pode gerar votos, nas urnas.
Parte das principais resistências não estão restritas a partidos de oposição ou entre os classificados como independentes. No PP, partido do vice-prefeito Gustavo Paim, são muitas as dificuldades. Segundo a vereadora Mônica Leal, a gestão do tucano representa uma desilusão. “Não é o que eu esperava. Marchezan e Paim, que é do meu partido, prometeram não aumentar impostos durante a campanha. Estou surpresa e chocada. Não tenho como apoiar a proposta do IPTU nem as que atingem os servidores”, disse, em entrevista ao programa “Esfera Pública”, da Rádio Guaíba. Mônica criticou ainda ações como o aluguel de prédios, que terão impacto nos cofres municipais, e garantiu que já comunicou o vice-prefeito, seu colega de partido, que não mudará de posição.
Fatores complicam aprovação de projetos da prefeitura
Discussão de propostas em ano eleitoral pesa contra intenções de Nelson Marchezan