Política

FHC alerta para a falsa sensação de liberdade dos brasileiros

“Será que somos realmente iguais perante a lei?”, questiona o ex-presidente no Fórum da Liberdade, na Capital

FHC palestrou no Fórum da Liberdade, na Capital
FHC palestrou no Fórum da Liberdade, na Capital Foto : Fabiano do Amaral / CP
Presente no painel Políticas e Ideias, encerramento do Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, o presidente Fernando Henrique Cardoso recorreu à história para expressar sua visão sobre liberdade, democracia e desenvolvimento.
Último a discursar, depois do ex-presidente da Bolívia Jorge Quiroga e do empresário Jorge Johannpeter, FHC foi logo foi avisando: “Nada é pior para a democracia do que o pensamento unilateral”.

Em seguida, usou "O Príncipe", de Maquiavel, para exemplificar a necessidade de organização da política. Trocando principado por república, explicou:" A república funciona quando já há a formação de uma 'cultura cívica' que permite uma obediência à regra”.

Ou seja, a ordem tem de ser construída pois naturalmente só existe a anarquia. “A democracia tem de ser uma construção humana e, como toda construção humana, é muito variável e tem de ser sempre cuidada e recuidada”.

FHC não perdeu a oportunidade de alfinetar o presidente Lula, mesmo sem citá-lo diretamente: “Igualdade perante a lei é fundamento da democracia”, referindo-se à postura do governante brasileiro que insiste em desrespeitar o Tribunal Superior Eleitoral.

O ex-presidente também alerta para a manipulação dos meios de comunicação, que nos faz crer que temos liberdade total. “Será que somos realmente iguais perante à lei?”, questiona. “Ou quem tem mais meios é que tem mais liberdade?”.

FHC afirma que ainda não há certeza suficiente de que podemos avançar sem medo de que a democracia se transforme no seu contrário – a Venezuela foi constantemente citada. Para ele, muitos até hoje não aceitam a liberdade de mercado porque o liberalismo não é somente liberdade de mercado, mas do indivíduo. “É o direito de ser igual perante todos e com a mesma liberdade”.

Para o presidente, país decente respeita a lei, põe corruptos na cadeia, mantém a segurança e oferece educação, escola... São esses os requisitos para ser um país desenvolvido. “A economia pode crescer em países sem liberdade. Mas é isso que nós queremos? Não nos deixemos enganar somente por uma só visão”, alertou.

E finalizou: “Em geral os que mais manipulam são os que vêm de baixo”.

O presidente Lula foi convidado e recusou o convite. Alegou que estaria em viagem aos EUA.