Política

FHC, Quiroga e Johannpeter no Fórum da Liberdade

Trio traz diferentes perspectivas para a América Latina do futuro, nas áreas social, econômica e política

Começou em Porto Alegre o painel Políticas e Ideias, com a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. O debate, que encerra a programação do Fórum da liberdade, em Porto Alegre, também conta com as presenças de Jorge Gerdau Johannpeter e Jorge Quiroga, ex-presidente da Bolívia.

O trio traz diferentes perspectivas para a América Latina de amanhã, nas áreas social, econômica e política, entre outras, apontando novos rumos para solucionar problemas do continente.

O primeiro a falar foi o ex-presidente da Bolívia, Jorge Quiroga. “Brasil como líder indiscutível e inquestionável da América, ajude a nossa gente. Que nos defenda do protecionismo europeu e americano, e também da política chinesa que nos atinge. E que possamos ajudar a América Central que, exceto Trinidad e Tobago, importa energia elétrica e combustível".

Quanto ao meio ambiente, o político boliviano acredita que a América Latina é o lugar que melhor poderá responder ao mundo sobre ecologia e preservação, além de combater o tráfico de drogas. "FHC tem uma proposta muito boa: temos de descriminalizar a droga se quisermos ganhar", completou.

Quiroga tambem fez questão de alertar sobre a falta de postura do Brasil que não tem colaborado para auxiliar a situação dos presos políticos no continente. "O Brasil tem de rever sua postura pois é inadmissível que uma democracia não se levante contra essa situação".

Jorge Johannpeter

Segundo a palestrar, o empresário gaúcho Jorge Johannpeter parabenizou o colega de debate, Jorge Quiroga, e enfatizou em seu discurso que o conceito de democracia está sendo distorcidô no Brasil.

De acordo com ele, é preciso debater a importância da liberdade fora dos conceitos jurídicos, pois ela passa por vários desdobramentos. A liberdade econômica é apenas uma parte deste processos: liberdade de imprensa, religião, ir e vir, votar e ser votado, respeito.

Por este motivo, ele afirma que é preciso que todos vigiem os acontecimentos no país, pois “nas democracias delegadas, a liberdade desaparece”. Para Johannpeter, o autoritarismo tem se mostrado muito forte no continente, principalmente em países como Bolívia e Venezuela.

No próprio Basil, diz ele, nota-se a crescente presença de políticos que discursam sobre “o não respeito à lei ou a um juiz. E isso nos faz crer que é extremamente importante a vigilância neste processo”, completou.

Para ele, a qualidade da construção de um país, da nossa vida ou da nossa empresa depende da conservação de patrimônios que não são econômicos. "É assim que temos de pensar para construir um país realmente desenvolvido e entrar de vez no ranking do IDH”. E alertou: “Se não nos conscientizarmos dos nossos valores, acontecerá o que aconteceu com nossos vizinhos”.

Para tanto, o empresário conclama: “Todos nós aqui neste auditório temos de lutar pela liberdade e pela organização democrática. Pois a palavra democracia vem sendo distorcida nos últimos tempos”.