Acusado de chefiar um esquema de jogos ilegais, corrupção e tráfico de influência, Cachoeira seguiu a orientação de seus advogados e afirmou que permanecerá em silêncio diante dos questionamentos dos integrantes da CPI. "Como manda a lei, estou aqui para responder o que for necessário. E constitucionalmente eu fui advertido pelos meus advogados a não falar nada e não falarei nada aqui. Somente após a audiência que nós vamos ter (na Justiça)”, disse Cachoeira logo no início da sessão. A defesa do bicheiro instruiu que ele não respondesse às perguntas para não produzir provas contra si.
Mesmo provocado pelos deputados e senadores que integram a CPI, que questionaram a respeito da relação do contraventor com o governador de Goiás, o tucano Marconi Perillo, com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e da relação com a empreiteira Delta na região Centro-Oeste, por meio do ex-diretor Cláudio Abreu, o bicheiro repetiu: "Ficarei calado como manda a Constituição".
Com a negativa de Cachoeira em responder aos questionamentos, os parlamentares aproveitaram o tempo que tinham para fazer discursos e críticas ao bicheiro. Depois de cinco perguntas não respondidas, o relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG) afirmou que a atitude de Cachoeira era "desrespeitosa" com os parlamentares.
Irritado, o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR) desabafou após o silêncio do bicheiro. “É muito triste. Mas eu quero dizer pra que ele não brinque com essa CPI”, declarou.
Parlamentares pedem fim da sessão
Ao fazer uso da palavra, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) sugeriu o fim da oitiva. “Essa sessão está se tornando ridícula. Estamos aqui fazendo um papel ridículo diante desse cidadão, que está nos manipulando. O que as pessoas em casa vão pensar de nós? Eu não vou ficar aqui dando ouro pra bandido. Ele vai anotar nossas perguntas para voltar com as respostas”, reclamou a parlamentar, propondo que a sessão se transforme em uma reunião administrativa.
Compartilhando da mesma opinião da senadora, o deputado Sílvio Costa (PTB-PE) também solicitou o fim da sessão. “Essa CPI corre um grande risco hoje de ser, amanhã, muito mal interpretada pela opinião pública brasileira”, acrescentou.