O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou nesta sexta-feira, 15, não saber exatamente o custo total do filme sobre o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas que estima ser "algo em torno de US$ 16 milhões". O valor é inferior aos US$ 24 milhões negociados com o dono do Master, Daniel Vorcaro.
"Em detalhes, não vou saber precisar, mas, além do que já tinha sido investido no primeiro momento, acredito que tenha sido algo em torno de US$ 16 milhões aproximadamente o custo. Posso estar enganado, porque eu não sei exatamente o valor", declarou a jornalistas.
Flávio disse não saber o valor total arrecadado por ter havido mais investidores posteriormente, mas que o fundo que recebeu o aporte é fiscalizado pela bolsa americana.
"Os dez investidores seguintes, não fui eu que trouxe diretamente, então, não sei exatamente qual o valor arrecadado. Mas de forma transparente, mais uma vez, todo esse fundo onde foi aportado esse recurso para fazer o filme é fiscalizado pela Bolsa de Valores lá dos Estados Unidos", continuou.
O senador disse ter o desejo de tornar público o contrato entre ele e Vorcaro, mas que a decisão será tomada por seus advogados: "Por minha parte, poderia apresentar tranquilamente, porque não tenho nada a esconder. Deixa eles falarem para ver se é o caso, o jurídico primeiro".
Flávio afirmou também ter conversado com Jair Bolsonaro no mesmo dia da divulgação da reportagem do The Intercept sobre os repasses de Vorcaro ao filme: "Falei com ele, expliquei que a imprensa tinha noticiado isso, que não tinha absolutamente nada de errado. Ele falou para eu ficar tranquilo, seguir firme, só falar a verdade, que é o que eu estou fazendo". Flávio foi cadastrado como um dos advogados de Jair Bolsonaro, o que lhe dá um acesso maior ao pai.
O senador voltou a negar que tenha enviado parte do dinheiro arrecadado para o filme ao irmão Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que mora desde o ano passado nos Estados Unidos.
"Vocês viram, até inclusive bateram, em função do presidente Bolsonaro ter feito uma doação para ele, para ele lá fora poder se sustentar. Ele tinha um pouco de reservas, está sobrevivendo dessa forma. E obviamente está buscando regularizar a sua situação para poder trabalhar regularmente", completou.
Flávio diz que Zema se equivocou ao "pré-condená-lo" e Caiado foi "respeitoso"
O senador também afirmou que o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) se precipitou em criticá-lo sobre o caso envolvendo os repasses do dono do Master ao filme.
Ele também elogiou o posicionamento do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Os três são pré-candidatos à Presidência.
"Ele (Zema) foi precipitado. É uma pessoa nova na política, mas precisa entender que ele também tem uma grande responsabilidade de ajudar os brasileiros a se livrarem do PT", disse Flávio a jornalistas.
O senador disse que merecia o "benefício da dúvida" e "jamais faria" o mesmo com Zema. "Acho que ele se equivocou em se antecipar e me pré-condenar. Ele se equivocou. Jamais faria isso com ele", disse.
"Flávio Bolsonaro, ver você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. Para mudar o Brasil, é preciso credibilidade", disse.
Flávio e Zema disputam o eleitorado bolsonarista, mas o ex-governador mineiro vinha adotando cautela ao marcar diferenças em relação ao filho do ex-presidente. Flávio já havia publicado imagens ao lado de Zema em suas redes sociais.
- Flávio Bolsonaro conversava com Vorcaro quando investigações sobre o Master já eram públicas
- Flávio Bolsonaro: Não dá para você querer trazer a preço de agora o contexto do final de 2024
- Confira na íntegra a transcrição de conversa entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro
Agradecimento a Ronaldo Caiado
Na entrevista, o senador agradeceu Ronaldo Caiado. "Ele fez um posicionamento correto, respeitoso comigo. Ele já foi vítima de uma perseguição como essa. E lá atrás, o defendi", disse Flávio.
Também na quarta Caiado afirmou, em nota, que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, privados e empresas.
"O senador Flávio Bolsonaro deve responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme e as relações com o dono do Master. Tudo que envolve Master e cifras milionárias precisa ser tratado com total transparência com a população. O Brasil vive um momento em que a sociedade exige clareza nas relações entre agentes públicos, empresas e interesses privados", afirmou o presidenciável do PSD.