Política

Flávio Bolsonaro teria deixado o Brasil pela Argentina rumo aos EUA, diz jornal argentino

Coordenador da campanha, Rogério Marinho nega a saída; viagem ocorreria um dia após Moraes mandar o senador entregar os passaportes

Infobae aponta voo privado com decolagem às 2h em Puerto Iguazú
Infobae aponta voo privado com decolagem às 2h em Puerto Iguazú Foto : Mauro Pimentel / AFP / CP

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato derrotado à Presidência da República, teria deixado o Brasil pela fronteira com a Argentina na madrugada desta terça-feira, 27, a caminho dos Estados Unidos, segundo o jornal argentino Infobae.

O coordenador-geral da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), negou a informação. “Não saiu”, disse Marinho à coluna de Igor Gadelha, do portal Metrópoles, na manhã desta terça.

A suposta viagem ocorreria um dia depois de Flávio afirmar que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega de seus passaportes e o proibiu de sair do país.

O que diz o jornal argentino

De acordo com o Infobae, o senador teria atravessado a fronteira até a província de Misiones usando apenas a carteira de identidade. Em Puerto Iguazú, cidade vizinha a Foz do Iguaçu (PR), embarcaria em um jato Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, da empresa argentina Baires Fly S.A. A decolagem estava prevista para as 2h, horário local.

Ainda segundo o jornal, a companhia solicitou liberação alfandegária e de imigração para quatro passageiros e três tripulantes. A aeronave, fabricada em 2004, tem 14 assentos e autonomia estimada entre 7 mil e 7,8 mil quilômetros. Dados do FlightRadar publicados pelo Infobae mostram que o avião chegou a Puerto Iguazú vindo de Buenos Aires.

De Puerto Iguazú, ele viajaria para os Estados Unidos a bordo de uma aeronave Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente à empresa Baires Fly SA | Foto: Infobae / Reprodução / CP

Ordem de entregar passaportes

Na segunda-feira, 26, Flávio publicou um vídeo nas redes sociais em que relata ter sido abordado por agentes da Polícia Federal (PF) ao sair da casa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

Segundo o senador, a decisão de Moraes teria como base uma declaração do irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos. Em 23 de outubro, Eduardo disse que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição.

“Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”, questionou o senador.

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O Infobae, por sua vez, aponta que a restrição estaria ligada a uma investigação por suposta lavagem de dinheiro envolvendo a relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz, também citado em apurações sobre movimentações financeiras no setor de apostas.

No vídeo, Flávio classificou a medida como uma “clara tentativa de me intimidar” e disse que cumpriria a determinação.

“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”, afirmou.

Flávio perdeu o segundo turno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no domingo, 25. De acordo com o senador, Moraes assinou a decisão na noite do mesmo dia.

Até a publicação desta reportagem, a PF, o STF e a assessoria de Flávio Bolsonaro não haviam se manifestado sobre a suposta saída do país.