O presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Nelcir Tessaro, entregou, na tarde desta terça-feira, ao prefeito José Fogaça a redação final do projeto que promete revitalizar o Cais Mauá. Fogaça tem 15 dias para definir se sanciona ou não o texto, mas assessores confirmam que a decisão já foi tomada. O prefeito irá oficializar o projeto que permite a construção de vários prédios em um trecho de 3,3 Km de extensão na orla do Guaíba. Um deles poderá ter até 100 metros de altura e será erguido próximo a Estação Rodoviária.
Com a sanção, ambientalistas, urbanistas e arquitetos do Movimento em Defesa da Orla do Guaíba anunciam que vão recorrer ao Ministério Público Estadual, nos próximos dias, para tentar barrar o “espigão”. Hoje, um processo do mesmo grupo, que tramita na Justiça, questiona os empreendimentos de prédios de grande porte no Pontal do Estaleiro, e nos futuros complexos do Beira-Rio e da Arena do Grêmio, no bairro Humaitá.
“A qualidade de vida está sendo colocada de lado, em nome de dinheiro e negócios”, defende o arquiteto e integrante do Movimento Nestor Nadruz. Segundo ele, um prédio de 100 metros em frente à orla aumentará a temperatura média da região, reduzirá a ventilação e provocará dificuldades para a circulação de pessoas e veículos. “Junto ao Guaíba, não há espaço suficiente para o movimento que a construção trará, e por isso, está caracterizado ali um erro urbanístico”, afirma Nadruz.
Já o Sindicato gaúcho da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), que representa as maiores empresas do setor, defende a revitalização. “Em primeiro lugar, por ser uma obra emblemática, haverá um novo ponto turístico, assim como Nova York possui o Empire State, por exemplo”, defende um dos diretores da entidade, Mauro Touguinha. Ele admite que há pontos positivos e negativos, mas para o empresário, se em uma mesma mesma área for permitida construção de um prédio mais alto, na base haverá maior área livre e benefícios. “Nessa situação temos mais locais com permeabilidade, maior ventilação”.
A Prefeitura garante que o projeto do Cais Mauá poderá gerar três mil empregos diretos e seis mil indiretos. O investimento, coordenado pelo governo estadual, será de R$500 milhões, mediante uma Parceria Público-Privada (PPP). O objetivo é concluir o empreendimento, que inclui a construção de um shopping, áreas de lazer, turismo e gastronomia, até a Copa das Confederações, em junho de 2013.
Fogaça vai sancionar projeto que libera prédio de 100 metros no Cais Mauá
Arquitetos do Movimento em Defesa da Orla do Guaíba recorrerão ao MP para tentar barrar empreendimento