Política

Força Nacional reforçará efetivo policial no RS

De 150 a 200 policiais devem deixar paralimpíada e chegar neste final de semana

Força Nacional reforçará efetivo policial com pelo menos 150 homens
Força Nacional reforçará efetivo policial com pelo menos 150 homens Foto : Luiz Chaves / Palácio Piratini / CP
A pedido do governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, o presidente interino Michel Temer enviará entre 150 a 200 integrantes da Força Nacional a Porto Alegre para ajudar as autoridades locais a combater a onda de violência que, nas últimas semanas, tem ocorrido na região metropolitana de Porto Alegre. O reforço deve fazer a guarda externa de presídios com o objetivo de liberar policiais militares para o policiamento ostensivo. Na reunião que teve com Temer, no final da manhã desta sexta-feira, Sartori pediu também a construção de um penitenciária federal no estado, para aliviar o problema de superlotação dos presídios e delegacias estaduais.

Na audiência, o governador destacou que a extrema limitação financeira o obriga a buscar recursos para providências imediatas. "Apesar dos investimentos já feitos e do Plano de Segurança lançado como resultado de grande empenho, o quadro de pessoal é insuficiente para frear a atual situação", argumentou Sartori, ao lembrar que recentemente foram chamados 752 policiais militares e 224 policiais civis aprovados em concurso.

Diante da crise, o secretário da Segurança Pública do Rio Grande do Sul, Wantuir Jacini, pediu nessa quinta-feira sua exoneração do cargo, e um gabinete de crise foi criado para lidar com a situação. Ele será coordenado pelo vice-governador, José Paulo Cairoli.

Na busca por ajuda do governo federal, Sartori foi a Brasília para se encontrar com Temer. Segundo o governador, o presidente interino disse que deslocará um contingente da Força Nacional para auxiliar a Brigada Militar na região metropolitana de Porto Alegre. "Esta será a primeira etapa. Solicitamos, ainda, armas, equipamentos, 30 viaturas e também um presídio federal na capital ou para o Rio Grande do Sul, para ampliar as ações que todos temos nesse campo da área penitenciária de segurança", disse o governador.  

Boa parte será deslocada dos Jogos Paraolímpicos do Rio de Janeiro. "Não discutimos o tempo (que eles ficarão) porque consideramos que será o tempo necessário", disse Sartori, ao negar que o governo do estado tenha demorado a pedir esse reforço. A reunião entre eles contou com a participação do senador Lasier Martins (PDT-RS). De acordo com o senador, o pedido de construção de uma penitenciária federal no estado se justifica por "não haver mais lugares nos presídios" e as delegacias estarem lotadas de presos.

"Temer reconheceu que o problema de segurança é um dos mais graves do Brasil, e que todo mundo está pedindo a mesma coisa, mas que vai se reunir para pensar no pleito do governador gaúcho", disse Martins. O governador pediu também ajuda para fazer uma reforma no Presídio Central. Quanto a esse item, o presidente Temer disse que vai reunir a equipe e ver o que é possível atender", informou o senador.

O crime


A crise no governo do Estado aumentou com a morte da representante comercial Cristine Fagundes, de 44 anos. A Brigada Militar (BM) relatou que ela tinha ido buscar o filho no colégio quando um homem se aproximou e anunciou o assalto na rua Ari Marinho, próximo à rua Eduardo Chartier.

Conforme os policiais militares, o disparo que tirou a vida de Cristine ocorreu no momento em que ela tentava tirar o cinto de segurança. O carro da vítima, um Honda Fit, não foi roubado. O suspeito fugiu em um Fiat Palio vermelho, onde era aguardado por outros três homens, em direção à avenida Plínio Brasil Milano.

Dias violentos

O crime ocorre um dia após um homem de 37 anos, identificado como Fabiano Lemos, ser executado na entrada do Hospital São Lucas da PUC. Na terça-feira, três mulheres foram assassinadas em Alvorada. A polícia acredita que o triplo homicídio tenha ligação com a morte de um casal, também registado na terça-feira. No último dia 14, a médica Graziela Müller Lerias, de 32 anos, morreu após ser baleada durante um assalto na zona Norte de Porto Alegre.