Horas depois da realização da nova fase da operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), concedeu entrevista coletiva nesta quinta e chegou a falar em deputados supostamente envolvidos no esquema. Além disso, Viana diz confiar que a investigação da Polícia Federal irá apontar novos responsáveis pelos crimes na Previdência.
"Eu não posso adiantar muita coisa para vocês porque estamos trabalhando sob sigilo. Há outros parlamentares com envolvimento, que deverão explicar as indicações que fizeram para o INSS. Existem informações que não podemos revelar porque pode atrapalhar o andamento da investigação. O que sabemos é que todos os presos de hoje estavam sendo monitorados”, afirmou Viana. “Ainda tem muita sujeira para a gente limpar”, acrescentou.
Carlos Viana explicou a jornalistas que há, de acordo com a investigação, três escalões de pessoas envolvidas nas fraudes no INSS. "O terceiro escalão é composto por operadores e laranjas que sumiram com o dinheiro dos aposentados e pensionistas. Alguns foram presos, mas há outros. Há ainda o segundo escalão, formado por servidores concursados que se corromperam e conseguiram passar de governo em governo para a continuidade das fraudes. Depois, temos o primeiro escalão, formado por políticos que ajudaram, indicaram e incentivaram os servidores nos desvios. Este primeiro escalão começa a ser alvo das operações e, possivelmente, dos depoimentos na CPMI”, colocou.
Viana disse que uma das tarefas da PF é localizar parte do dinheiro arrecadado com as fraudes. “O dinheiro sacado em bancos está em algum lugar. Boa parte foi enviada para o exterior, para paraísos fiscais e uma outra parte desapareceu no Brasil. Ou se transformou em bens ou foi guardado. Existem informações que ainda estão sendo apuradas e creio que investigação irá trazer mais responsáveis”, pontuou.
Viana também afirmou que há interessados em fazer delação premiada sobre a fraude. "Há outras pessoas dispostas a fazer delação, inclusive a esta CPMI", afirmou a jornalistas, quando questionado sobre um possível acordo do empresário Maurício Camisotti com a Polícia Federal.
Antes de conversar com jornalistas, Viana usou seu perfil na plataforma X para comentar a operação da PF. "Isso é só o começo. Tem muita gente que ainda vai ser presa. Tem muita estrutura pública que vai cair. Tem muita verdade que vai aparecer", disse no X (antigo Twitter).
- Ex-presidente do INSS é preso, e ex-ministro usará tornozeleira após nova fase de operação contra fraudes
- Nova fase de ação contra fraudes no INSS cumpre mandados no RS, em outros 13 estados e no DF
Nova fase mira ex-presidente, ex-ministro e deputados
A nova fase da operação Sem Desconto, realizada nesta quinta-feira, teve dois grandes alvos: o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto e o ex-ministro da Previdência José Carlos Oliveira, que atuou durante a gestão de Jair Bolsonaro.
Stefanutto foi preso e Oliveira deverá usar tornozeleira eletrônica. Outros alvos foram o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG), que vendeu um avião a uma entidade ligada aos desvios, e o deputado estadual do Maranhão Edson Cunha de Araújo, que presidiu entidade de pescadores responsável por descontos associativos.
Nesta nova etapa da ofensiva iniciada em abril, os agentes da PF cumprem mandados no Rio Grande do Sul, em outros 13 estados e no Distrito Federal. A intenção é localizar e prender suspeitos de envolvimento no esquema de cobranças indevidas.
Os agentes da PF também prenderam três pessoas ligadas à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). PF ainda cumpriu um novo mandado de prisão contra Antônio Camilo, conhecido como o “Careca do INSS”, que está preso desde o mês de setembro. O homem era dono de carros de luxo.
No total, foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 10 mandados de prisão preventiva e outras medidas cautelares diversas de prisão. Dos estados envolvidos está o Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins e no Distrito Federal.
Defesa de Stefanutto
Em nota, a defesa de Alessandro Stefanutto afirmou que não teve acesso ao teor da decisão que decretou a prisão do dirigente. Os advogados de Stefanutto consideraram a prisão ilegal, uma vez que o ex-presidente do INSS tem colaborado com a investigação.
O ex-ministro José Carlos Oliveira e os deputados ainda não se manifestaram sobre a operação.
*Com informações da Agência Estado