Política

Funcionalismo de Porto Alegre deve paralisar no dia 10 para reivindicar reajuste salarial

Decisão foi tomada em assembleia realizada no dia 30 de junho

Decisão de greve foi tomada na última assembleia geral, realizada no dia 30 de julho
Decisão de greve foi tomada na última assembleia geral, realizada no dia 30 de julho Foto : Simpa/Divulgação/CP

A diretoria do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) anunciou que, no dia 10 de julho, será realizado um dia de paralisação, para reivindicar reajuste salarial da categoria e melhorias nos locais de trabalho. Conforme a diretoria da entidade, a concentração será realizada na Secretaria Municipal de Administração e Patrimônio de Porto Alegre (Smap), localizada na Rua Siqueira Campos, 1300, Centro Histórico, às 9h. Na sequência, está prevista uma caminhada até o Centro Administrativo, local onde será realizada a reunião com o prefeito Sebastião Melo (MDB), referente à rodada de negociação da campanha salarial. A Prefeitura informou, em nota, que as negociações estão em andamento.

De acordo com o Simpa, os municipários acumulam perdas salariais de 34,16% e que, até o momento, o governo propôs uma reposição de 4,27% no vale alimentação — para os servidores na ativa, que atualmente tem uma defasagem de 77%.

Conforme a diretoria, a Prefeitura está oferecendo 0% de reposição da inflação de 2025, referente à data-base de 2026. "Além da recomposição salarial, há outras pautas fundamentais que precisam avançar, como a melhoria das condições de trabalho nos equipamentos públicos municipais, o combate ao assédio moral, a realização de concursos públicos e a liberação das progressões, que estão paradas há 10 anos."

A diretoria afirma que o principal objetivo é tensionar o governo por meio da mobilização da categoria para exigir a reposição salarial e também dialogar com a população, denunciando o desmonte e a entrega dos serviços públicos à iniciativa privada.

Melhorias nos locais de trabalho

De acordo com a diretoria, a categoria busca melhoria nos locais de trabalho, como por exemplo, nas escolas, que não têm climatização, enfrentam falta de infraestrutura hidráulica e possuem obras inacabadas. Na questão da saúde, a terceirização teria causado a precarização do atendimento e de suas estruturas. "O desmonte da assistência social, vem sendo intensificado, e os serviços e espaços físicos do Departamento Municipal de Água e Esgotos (DMAE) estão sendo sucateados com o objetivo de privatizá-lo", acrescenta a entidade.

A expectativa com a paralisação, segundo a diretoria, é que o governo municipal apresente uma proposta compatível com a realidade financeira do município. "Porto Alegre encerrou o último ano fiscal com um superávit de R$ 1,24 bilhão, conforme estudo do Dieese baseado em dados do Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi). Diante desse cenário, não há justificativa para manter a política de desvalorização dos municipários."

Negociações

Em nota, a Prefeitura de Porto Alegre informou que as negociações com o Simpa seguem em andamento e que, desde o início do ano, já foram realizadas diversas reuniões, além de grupos de trabalho intersetoriais para tratar das pautas específicas da categoria. Além disso, uma nova reunião, com a participação do prefeito Sebastião Melo, está prevista para a próxima semana.

Conforme a nota, até o momento, o governo apresentou a reposição de 4,26% no vale-refeição, correspondente à inflação acumulada entre janeiro e dezembro de 2025, a atualização do complemento para servidores com vencimento básico inferior ao salário mínimo, com efeitos retroativos a janeiro de 2026, e o pagamento da primeira parcela da reposição inflacionária de 2023 (1,54%) na folha de dezembro, com reflexos no 13º salário.

"A Prefeitura reafirma o compromisso com o diálogo e conduz as negociações de forma responsável, considerando que os efeitos do desastre climático de 2024 ainda impactam significativamente as finanças municipais, o que exige equilíbrio para assegurar a sustentabilidade das contas públicas e a continuidade dos serviços essenciais", finaliza a nota do governo.