Política

Geddel liberava créditos e dados para empresas em troca de propina, diz investigação

Ex-ministro do governo Temer e o deputado cassado Eduardo Cunha articulavam o esquema na CEF

Geddel liberava créditos e dados para empresas em troca de propina, diz investigação
Geddel liberava créditos e dados para empresas em troca de propina, diz investigação Foto : Marcelo Camargo / Agência Brasil / CP
 Investigadores da Operação Cui Bono, deflagrada nesta sexta pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal, sustentam que Geddel Vieira Lima, ex-ministro do presidente Michel Temer, era braço-direito do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), atualmente preso em Curitiba, em esquema para liberar empréstimos a empresas ‘dispostas a realizar negociações ilícitas’.

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"Consta dos autos que, valendo-se do cargo de Vice-Presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima agia internamente, em prévio e harmônico ajuste com Eduardo Cunha e outros, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas [...] para que, com isso, pudessem obter vantagens indevidas junto às empresas beneficiárias dos créditos liberados..."

De acordo com o juiz, a Polícia Federal aponta Geddel, Cunha, o ex-vice-presidente da Caixa e delator da Operação Lava Jato Fábio Ferreira Cleto e o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, que está preso e é réu na Lava Jato, como integrantes do núcleo criminoso.

No despacho, o juiz que autorizou a operação, Vallisney de Souza Oliveira, autoriza a quebra do sigilo dos dados
telefônicos, postais, bancários e fiscais nas mídias e demais documentos para que o MPF e a Polícia Federal possam examinar computadores ou outro material dos investigados.

O magistrado sustenta que há ‘fortes indícios de que todas as pessoas relacionadas (na investigação) tiveram participação nos fatos que ensejaram as referidas irregularidades/ilícitos”, escreveu, na decisão que autorizou as medidas. A operação apura crimes de corrupção, associação ou organização criminosa e lavagem de dinheiro.

No pedido de buscas e apreensões enviado à Justiça Federal, a PF afirma que, valendo-se do cargo de vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, o qual exerceu entre 2011 e 2013, Geddel agia internamente, em ajuste com Cunha, para beneficiar as empresas suspeitas de pagamento de propina.

Ente as empresas suspeitas de pagar suborno, segundo a Operação Cui Bono estão BR Vias, Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários, Marfrig, J&S Investimentos, Bertin, JBS Comporte Participações, Big Frango e Digibras.

As evidências contra Geddel surgiram em mensagens de um celular apreendido na casa de Cunha na Operação Catilinárias. Elas revelam diálogos entre Cunha e Geddel indicando, por exemplo, que ‘já tinham saído votos favoráveis às operações da Marfrig, de que os valores estavam liberados’.