Pesquisa Genial/Quaest realizada com 106 agentes financeiros e divulgada nesta quarta-feira, 19, mostra alta rejeição do mercado ao presidente Lula (PT) e piora da avaliação sobre o trabalho do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O levantamento evidencia ainda grande rejeição dos agentes à nova ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, mesmo que ela esteja no cargo há menos de 10 dias. E projeta expectativas sobre as eleições gerais de 2026, a possibilidade de reeleição de Lula e as preferências entre seus principais concorrentes.
A pesquisa é divulgada na data em que o Banco Central realiza reunião para decidir sobre em quanto aumentará a taxa básica de juros, e um dia após o governo federal ter enviado ao Congresso proposta com isenção do imposto de renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil por mês e estabelecimento de imposto mínimo para quem recebe mais de R$ 50 mil mensais.
O levantamento, contudo, não mediu os humores do mercado depois do pacote do IR. Ele foi realizado entre os dias 12 e 17 de março, antes do anúncio do governo, que teve boa repercussão. Ainda na terça, 18, após o detalhamento da proposta, o dólar voltou a cair, atingindo a menor cotação em cinco meses. E a bolsa de valores subiu pela quinta vez seguida, alcançando o maior nível desde outubro.
A pesquisa só tem uma menção às mudanças no IR, quando questiona os investidores sobre quais as chances de o governo Lula aprovar no Congresso uma lista de oito medidas que são ventiladas há meses. Para 64% dos investidores, é muito provável que o governo consiga passar o aumento na faixa de isenção. Outros 30% consideram mais ou menos provável. Já sobre a elevação da taxação para quem ganha mais de R$ 50 mil, só 13% consideram como muito provável a aprovação. A maioria, 46%, considera improvável. E 39% como mais ou menos provável.
Entre os agentes financeiros, 60% avaliam que Lula será candidato à reeleição, mas 66% entendem que ele não será o favorito na disputa. À pergunta sobre quem deve ser o candidato da esquerda caso Lula não se candidate, 57% apontaram que será Fernando Haddad. Outros 10% responderam com o nome do vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB). E, 8%, que será o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD). Alckmin e Paes são representantes do campo político do centro e não da esquerda.
Sobre quem tem mais chances de vencer o candidato da esquerda, 93% dos entrevistados responderam que é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em seguida, mas distante, aparece o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), com 3%. Novamente, o levantamento não ‘pegou’ as movimentações da terça-feira, quando o deputado anunciou que permanecerá nos Estados Unidos, licenciando-se do mandato.
Os agentes financeiros responderam ainda sobre a possibilidade de prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL): 68% acreditam que ele será preso; 16% que não será preso, e 16% não souberam responder. Sobre a confiança em lideranças políticas, novamente o mercado evidenciou sua predileção por Tarcísio: 68% responderam confiar muito nele. O grau de muita confiança do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), é de 36%. E o do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de 23%. Só 5% confiam muito em Bolsonaro, mesmo índice de Haddad. E 3% em Lula. O nome do governador do RS, Eduardo Leite (PSDB), que trabalha para tentar entrar na disputa presidencial de 2026, não foi incluído na pesquisa.
Entre os agentes financeiros ouvidos, 88% avaliam o governo Lula como ruim ou péssimo, e 4% como ótimo ou bom. Sobre se a política econômica vai na direção certa ou errada, 93% responderam que está na direção errada e 7% na certa. O presidente é apontado como o principal responsável pela condução da política econômica: 92% dos entrevistados o identificam assim.
A avaliação negativa de Haddad alcançou 58% na sondagem. Ela era de 24% em dezembro. Outros 32% consideram o trabalho do ministro como regular. E 10% como positivo. Foi a primeira vez, na série com este recorte, realizada pela Quaest desde março de 2023, que a avaliação negativa sobre a atuação de Haddad superou a positiva.
O levantamento evidenciou ainda a pouca simpatia do mercado com Gleisi: 90% dos ouvidos responderam que Lula errou ao nomeá-la para o ministério. Sobre a atuação de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central, 45% consideram positiva, 41% regular e 8% negativa.
Intitulada ‘O que pensa o mercado financeiro’, a pesquisa ouviu 106 agentes de fundos de investimentos com sedes em São Paulo e no Rio de Janeiro entre 12 e 17 de março. A coleta de dados aconteceu por meio de entrevistas online com questionários estruturados. A Quaest é uma empresa de inteligência de dados. A corretora de investimentos digital Genial Investimentos é controlada pelo banco Genial.