Política

Gilmar Mendes rebate juiz da Lava Jato sobre foro privilegiado

Ministro do STF disse que argumentos usados por Moro são "bobagens"

Gilmar Mendes disse que argumentos usados por Moro para reduzir foro privilegiados são "bobagens"
Gilmar Mendes disse que argumentos usados por Moro para reduzir foro privilegiados são "bobagens" Foto : Roberto Jayme / Ascom / TSE / CP
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, também ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), rebateu a sugestão feita pelo juiz Sérgio Moro, responsável pela operação Lava Jato, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, de se reduzir o foro privilegiado aos presidentes dos três Poderes. “Para todo problema complexo, uma solução simples é geralmente errada”, disse Mendes.

O ministro classificou como uma “bobagem” o discurso de que a primeira instância é boa e o Supremo é ruim. Ele lembrou que, no julgamento do mensalão, o caso andou mais rapidamente na Corte do que no juízo de primeiro grau. Na entrevista publicada domingo, em que frisou que “jamais” vai se candidatar a cargo eletivo, Moro disse que o STF tem cumprido papel muito importante na Lava Jato, mas avaliou haver “alguns problemas estruturais”. Ele citou que a Corte tem um número limitado de juízes e uma estrutura mais limitada para apreciar casos criminais, considerando que a melhor solução é retirar esse “privilégio” de um “bom número de autoridades hoje contempladas”.

Moro também considerou haver “dois problemas” no projeto de abuso de autoridade, que tem como principal patrocinador o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), investigado na Lava Jato: o fato “estranho” de estar sendo discutido agora e a redação do projeto que, segundo ele, poderia afetar a “independência” de atuação do juiz. Mendes ironizou que o projeto não é oportuno agora, mas o que propõe dez medidas de combate à corrupção, proposto pelo Ministério Público Federal e apoiado por Moro, seria. “É muito interessante isso: quem é o juiz do tempo, são eles? Esse projeto é de 2009 e a lei que regula o abuso é de 1965, portanto totalmente ultrapassada”, afirmou.